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Luiz Carlos Merten

21 Maio 2007 | 16h50

CANNES – De manhah, correndo para uma entrevista no Carlton, encontrei Jean-Thomas, da Imovision, apos a exibicaoh de Paranoid Park, de Gus Van Sant. Jean-Thomas ainda naoh havia fechado o negocio, mas eh bem provavel que leve o filme para o Brasil. Tomara! Gostava do Gus Van Sant no comeco da carreira dele, com Drugstore Cowboy e Garotos de Programa (My Own Private Idaho). Depois, tive a fase de naoh gostar. A Palma de Ouro de Elefante me parece exagerada e The Last Days me pareceu um porre. Mas em Paranoid Park, Gus Van Sant conseguiu me apanhar. Como sempre, seus personagens saoh jovens. O protagonista eh um garoto, filho de pais separados, que tem essa namorada com quem vai para a cama, mas eh muito mais por insistencia dela do que por desejo. O garoto revela um profundo mal-estar. Por que? Por que os adolescentes de Elefante matavam? Eh dificil responder a essas perguntas e Gus Van Sant naoh busca as tradicionais interpretacoes psicanaliticas. O garoto eh atraido por esse parque onde se encontram os skatistas de Portland. Envolve-se num crime. Crime e castigo, segundo Gus Van Sant. Crime sem castigo, mas no fundo ele naoh acredita que exista crime sem castigo interior. Pode existir impunidade, o que eh outra coisa. Seus personaghens sofrem. Numa cena, vemos o garoto executar uma serie de gestos. Mais tarde, ele repete esses gestos, mas aih temos outras informacoes sobre ele e as cenas adquirem outro significado. Paranoid Park eh sobre o mal-estar (e os desajustados) de uma sociedade enferma (como sustenta Michael Moore em Sicko). Mas tambem eh um filme sobre a linguagem do cinema e nossa relacaoh com ela. Achei Gus Van Sant, por um momento, muito-muito interessante.