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Guerra dos sexos e algo mais

Luiz Carlos Merten

19 Junho 2010 | 13h02

Depois do post anterior, fui ao Centro buscar um par de sapatos que havia mamndadfo consertar e passei na Galeria Olido para ver os filmeds em exibição hoje à tarde. Estou de volta em casa e daqui a pouco vou à jeijoada que minha amiga Leila Reis realiza todo ano, no terceir sábado de junho, reunindo um pessoal bacana que muitas vezes e só (re)vejo nesta oportunidade. Mas não resisto a postar sugerindo que vocês agora à tarde ao Olido. O ciclo das comedias românticas exibe duas preciosidades. Às 3, ‘A Costela de Adão’, de George Cukor, com a dupla clássica Katharine Hepburn/Spencer Tracy. Às 5, ‘Feitiço da Lua’, de Norman Jewison, com Cher e Nicolas Cage. Às 7, haverá mais uma e sei que para muita gente será a melhor, mas nunca fui muito fã de ‘Harold e Maude – Ensina-me a Viver’, de Hal Ashby, apesar da trilha magnífica de Cat Stevens, que ainda se chamava assim, e das divertidas cenas de suicídio do personagem de Bud Cort. Talvez, para desfrutar ‘A Costela de Adão’, o espectador precise retroceder um pouco no tempo e tentar assistir ao filme com os olhos voltados para 1949, quando foi feito. Hoje, muitas das audácias do filme – e do roteiro escrito pelo casal Garson Kanin/Ruth Gordon, ela, justamente, a Maude – ficaram datadas, mas naquela época, pré-feminista, a defesa da igualdade dos sexos era uma bandeira que acho qe só Simone de Beauvoir já estava empunhando. Deve ser dado um crédito a Cukor, gay de carteirinha e a seus roteiristas por ousarem fazer algo mais do que uma simples – mais uma – comédia sobre a guerra dos sexos. Kate e Tracy fazem advogados casados que brigam no tribunal. Ela defende uma mulher (Judy Holliday) acusada de haver disparado seis tirops na casa ao descobrir o marido com a amante. Tracy defende o marido adúltero – Tom Ewell, anos antes de, de novo, cair pelo rabo de saia do apartamento vizinho, e era Marilyn Monroe em ‘O Pecado Mora ao Lado’, de Billy Wilder, lembram-se? Tracy acusa Judy de tentativa de homicídio. Kate defende que ela nem seria levada a julgamento, se os papeis fossem invertidos e Ewell a flagrasse com outro, ele poderia disparar seus tiros e estaria no seu direito. Era a tese de Pietro Germi em seu ataque demolidor ao machismo siciliano em ‘Divórcio à Italiana’, com Marcello Mastroianni. Embora datado, o feminismo não tão radical de ‘A Costela de Adão’ vai ter se encerrar, claro, com o happy end. Espero que vocês não se decepcionem, mas a dupla Hepburn/Tracy é tão boa, os diálogos são disparados como tiros de metralhadora e o filme ainda tem Judy um ano antes de ganhar o Oscar – ‘roubado’ a Bette Davis e Gloria Swanson, respectivamente por ‘A Malvada’ e ‘Crepúsculo dos Deuses’ – por ‘Nascida Ontem’, no qual imortalizou a personagem da loira burra, por sinal, em outro filme dirigido por… Cukor.