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Luiz Carlos Merten

09 Dezembro 2006 | 09h33

Sei que meus comentários de teatro não contam muito, mas faço, mesmo assim. Estava com toda aquela perturbação que me causou o filme do Todd Fields (veja o post anterior) e cometi a imprudência de ir ver a tal da peça da guerra conjugal, com Petrônio Gontijo e Maria Fernanda Cândido, ali no teatro do Hotel Jaraguá. A idéia é mostrar cenas de um casamento. Um casal que se dilacera, nas suas mentiras e acusações. Mas não é um drama pesado como o filme do Bergman, que virou peça. Tem ali uma coisa de farsa, de representação, na medida em que a peça superpõe mentira sobre mentira até a famosa verdade redentora. A idéia é interessante, mas a montagem… Acho que existe hoje um problema muito sério de público. As pessoas atendem celular no meio dos filmes, comem pipoca fazendo barulho, conversam, parece que estão na sala de casa vendo DVD. Babenco disse ontem uma coisa ótima no almoço da Warner. Um grande exibidor americano (ou canadense, não lembro) disse ao Saul Zaentz, produtor de Brincando nos Campos do Senhor, que, no cinema, o que dá dinheiro é a pipoca e o Zaentz respondeu (olhem que gênio!) – é, mas ninguém paga ingresso para comer pipoca e sim, para ver os filmes. Pois bem, no teatro não tem pipoca (ainda), mas as pessoas conversam. Numa cena, Maria Fernanda, linda daquele jeito, troca de roupa. O cara de trás fez o seguinte comentário para sua acompanhante – você trocaria de roupa rapidamente, como ela? Pelamor de Deus. No momento seguinte, tocou o celular – deu para ver que era ligação a cobrar, pela musiquinha – e a dama dita cuja levantou-se para atender e não voltou mais, o que foi um alívio. Público e montagem se merecem. Foram feitos um para o outro. E tem o elenco. Petrônio Gontijo é intenso demais. Maria Fernanda é, como direi?, gélida. Não há química entre os dois ou eu, pelo menos, não senti.

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