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Luiz Carlos Merten

31 Março 2007 | 12h59

CIDADE DO MEXICO – E o Brasil foi o grande vencedor do Festival de Guadalajara, que terminou ontem. Embora o premio de melhor filme tenha ido para o mexicano Parpados Azules, o Brasil, que foi um dos paises homenageados, ficou com o premio especial do juri (Casa de Alice, de Chico Teixeira) e mais os de melhor diretor (Paulo Caldas, por Deserto Feliz), melhor ator (Selton Melo, por O Cheiro do Ralo) e melhor atriz (Paula Ribas, por A Casa de Alice). Acompanhei aa diastancia, pela imprensa, o festival que homenageou Nelson Pereira dos Santos e Costa-Gavras. Nelson, saudado como pai do cinema brasileiro, disse que naoh existe censura no Pais e que, se os diretores hoje enfrentam restricoes, elas saoh de ordem economica. Ele criticou a interferencia das Majors, que poem dinheiro na producao, mas se reservam o direito de interferir no processo criativo do filme que estao patrocinando, quase sempre em funcaoh do ajustamento ao tal “mercado”. Costa-Gavras veio dizer o que parece obvio, mas sempre eh bom que alguem importante como ele venha nos lembrar. Todo filme eh politico, mesmo quando parece ser mero entretenimento, como eh o caso de 99,99% da producao de Hollywood (o percentual, de brincadeirinha, eh meu). A surpresa, para mim, foi a seguinte – quando lhe perguntaram qual seu filme preferido, Costa, ao contrario da maioria dos diretores, que consideram os filmes como filhos e naoh se acham capacitados para escolher, disparou sem pensar duas vezes – Hannah K, seu drama sobre a questaoh palestina, com Jill Claybourgh. Isso, sim, foi surpreendente. Lembro que, quando Hannah K estreou no Brasil, a critica foi toda ruim. Comprei uma briga por achar mais interessante que os famosissimos Z, A Confissaoh e Estado de Sitio. E voceh, o que acham dos filmes de Costa-Gavras?