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Cultura » Grande (pequena) Milena!

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Luiz Carlos Merten

14 Junho 2011 | 12h07

Celdani aproveita o post sobre ‘Doze Homens e Uma Sentença’, a versão de William Friedkin, para informar que ‘Cruising’, Parceiros da Noite, está programado para sexta-feira no TCM. Se continuar de molho, em casa, pode até ser que veja, mas não será a versão restaurada que passou em Cannes Classics. Por conta das acusações de homofobia, que o filme sofreu na época (1980), ‘Parceiros’ sofreu cortes e eu creio que a versão da TV paga não seja a do diretor. Marcelo Magalhães reage às sugestões de homossexualismo contidas em ‘Juventude Trasnsviada’ e eu, provavelmente, nem teria falado nada se o Celdani não tivesse dito que o filme passa no quadro de uma programação destinada a discutir, ou enfocar, a homossexualidade, deixem-me ser correto. Estava só querendo contextualizar o filme de Nicholas Ray na tal programação, mas é um fato que rever, hoje, os velhos filmes daqueles caras que o star system mantinha dentro do armário leva a descobertas muito divertidas. As comédias das dupla Rock Hudson/Doris Day são exemplares. Ele fazia o Don Juan, mas tem sempre a cena do cafezinho, ou do drink, em que entorta a mão ou faz caras e bocas que, há 50 anos, passavam despercebidas (ou eram vistas de um jeito), mas hoje possuem, ou adquirem, outro significado. Isso agrega àqueles filmes (o quê, exatamente?) e eu creio que o fato de poder identificar sugestões de homossexualidade em ‘Juventude Transviada’ e outros clássicos, não diminui nem compromete em nada a força do filme, vou até colocar no plural, dos filmes. Por falar em viadagem na tela, a psicanalista de um amigo foi ver ‘Saturno em Oposição’. Desmontou a militância gay de Ferzan Ozpetek. O par gay é perfeito, o casal heterossexual passa longe disso e os homens, remarca dela, são todos muito mais bonitos do que as mulheres. Ponho aqui a minha ressalva porque acho a Margarita Buy uma coroa muito interessante. Mas aproveito agora para uma observação que estou para fazer há dias. Justamente no filme de Ozpetek, a enfermeira, nas cenas do hospital, é interpretada por Milena Vukotic. Milena quem? Como a sexy Sylva Koscina, mas não com o mesmo perfil, é uma atriz da antiga Iugoslávia que fez carreira no cinema italiano nos anos 1960/70. A jovem Milena tinha alguma coisa que reencontrei depois em Maria de Medeiros. Ambas miúdas, grandes olhos. Nunca me esqueço de Milena em ‘Venha Tomar Um Café Conosco’, comédia de Alberto Lattuada, de 1970, em que Ugo Tognazzi é arrastado à casa de irmãs solteironas e, entre um café e outro, elas forçam o macho italiano a uma maratona de sexo, até que ele sofre um colapso e vai parar, todo torto, numa cadeira de rodas. Lembrei-me hoje dela porque acabo de digitar seu nome na coluna de Filmes na TV de amanhã do ‘Caderno 2’. Milena integra o elenco de ‘O Discreto Charme da Burguesia’, de Buñuel, que o TCM vai exibir às 10 da noite.

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