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Luiz Carlos Merten

06 Maio 2012 | 19h09

Estou na lan house do Shopping Frei Caneca, depois de assistir, na Câmara Municipal, a ‘Navajo Joe, o Implacável Pistoleiro’, no ciclo de spaghetti westerns que integra a Virada Cultural. Achei bem legal e até vim para cá pensando em como a vida  é injusta. Sergio Leone virou o emblema do gênero, mas seus spaghetti westerns  andam melhores na lembrança do que quando os revejo na TV paga. Pensei comigo – quantos ‘artesãos’ não fizeram bons filmes aos quais ninguém deu atenção porque, afinal, já existia Leone? Confesso que tenho uma queda pelo ‘Face a Face’ e ‘Corra Homem, Corra’, de Sergio Sollima, amo o ‘Quien Sabe?’ (Gringo), de Damiano Damiani, e me divirto muito com o prólogo de ‘Django’, de Sergio Corbucci, quando Franco Nero chega à cidade arrastando o ataúde vazio. Corbucci também é o diretor de ‘Navajo Joe’. Politique des auteurs, donc… Essa coisa de autoria me interessa muito, mas tendo a desconfiar dos autores que são oficiais, que todo mundo reconhece. No Recife, conversando com Rubens Ewald Filho, ele me lembrou do Ferdinando di Leo, um dos diretores que os críticos tratavam aos pontapés quando eu era jovem e hoje são cultuados. Enquantro isso, já naquela época, muitos farsantes eram incensados… Por que estou escrevendo isso, além de relatar como me diverti com ‘Navajo Joe’? Recebi o e-mail de um leitor do ‘Estadão’, me esculhambando pela crítica a ‘Eu Receberia Piores Notícias de Seus Lindos Lábios’. Diz que é um desrespeito com o cinema autoral etc e tal. Longe de mim querer polemizar com o leitor, que pode continuar gostando do filme de Beto Brant. Se há coisa que nunca quis é impor minha visão, mas quero que ela fique registrada. Não mudaria nada do que penso sobre o filme do Beto – um amigo foi ver e me disse que não era tão ruim quanto os outros, o que achei bem instrutivo; um elogio às avessas -, mas talvez escrevesse diferente. Explico. Havíamos combinado um ‘gostei/não gostei’ no ‘Caderno 2’. Fiz meu texto dentro desse espírito, mas aí, p0r uma questão de espaço, caiu o ‘gostei’ e ficaram só as entrevistas do Zanin, nas quais presumo que ele tenha externado sua admiração pelo filme, e o meu ‘não gostei’. Há dias que queria acrescentar esse post, não para me explicar, mas como esclarecimento. Nem me passa pela cabeça me retratar. ‘Eu Receberia’ não é bom. O texto não é malo escrito, como sugere o leitor. E já que ele defende tanto o cinema de autor, já viu o novo Edgard Navarro? Aquilo sim é visceral, meu amigo. Gostei (do Navarro)!