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Luiz Carlos Merten

09 Julho 2009 | 17h30

Cheguei ontem no final da tarde e a primeira pessoa que encontrei foi Eduardo Valente. Como eu, ele ainda não havia assistido ao filme de José Eduardo Belmonte, ‘Meu Mundo em Perigo’. Conversamos, mas no final nos perdemosa e não porque a sala do MIS estivesse cheia. Pelo contrário. Éramos poucos, mas a receptividade foi pouca. Ocorre que tive de correr ao banheiro – sem detalhes, please – e me perdi do Valente. Ele está indo para Paulínia, onde começa daqui a pouco o Festival do Cinema Brasileiro. De volta a Belmonte e ao seu ‘Mundo em Perigo’, nosso placar,. do diretor e meu, estava um a um. Havia gostado de ‘Se Nada Mais Der Certo’, mas não de “A Concepção’. Belmonte virou o jogo – ou eu, dentro daquele princípio de que a gente reinventa o filme que vê. Gostei de ‘Meu Mundo em Perigo’, talvez não tanto quanto de ‘Se Nada Mais…’, mas esse Belmonte está me saindo bom. O filme trata de dois núcleos familiares que se tocam por meio de um acidente (de trânsito). Um homem que acaba de perder a guarda do filho surta e atropela um bêbado. O tal bêbado não é flor que se cheire. Atormenta o filho e tenta abusar da mulher dele, que dá graças a Deus quando o sogro morre. Mas o filho, sabem como é essa coisa de sangue, se sente na obrigação, ou é induzido a vingar o pai. O choque é inevitável. Belmonte adora filmar a instabilidade do mundo. Para fugir à hostilidade da vida social, ou da rua, as pessoas se refugiam na família (ou num hotel). É pior. O diretor admitiu que queria fazer um melodrama, mas descobriu que seu filme era uma tragédia, que esculpe por meio da epiderme dos atores. Millem Cortaz e Eucyr de Souza são bons, todo mundo sabe. Rosane Mulholland é ótima – linda e talentosa. ‘Meu Mundo em Perigo’ foi premiado em Brasília, há quase dois anos. Já está mais do que na hora de cavar um espaço no circuito exibidor. Jean Thomas Bernardini, Adhemar Oliveira, para quando o ‘Mundo em Perigo’?