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Luiz Carlos Merten

29 Agosto 2007 | 10h51

Ainda não li a entrevista de Quentin Tarantino na edição de junho de Cahiers du Cinéma, que comprei nas bancas de São Paulo – Jake Gyllenhaal está na capa, numa foto de Zodíaco -, mas folheando a revista encontrei a notícia, com direito a foto e tudo, de que Gordon Scott morreu. Gordon quem? Gordon Scott pertence à geração de halterofilistas que fazia sensação no cinema industrial italiano, por volta de 1960, quando as aventuras mitológicas estavam na moda, antes de serem substituídas pelo spaghetti western, em meados da mesma década. Gordon Scott havia feito uma porção de filmes de Tarzan, nos anos 50, incluindo um bom, de John Guillermin, A Maior Aventura de Tarzan, onde o vilão era interpretado por um certo Sean Connery. Gordon Scott foi Ursus e Maciste, trabalhando com aqueles diretores de quem nem os críticos se lembram o nome (Piero Pierotti, Sérgio Corbucci), mas de um deles eu sou, ou era, devoto – Riccardo Freda. Ele filmou no Brasil – O Caçula do Barulho, com Anselmo Duarte e sua mulher, Gianna Maria Canale, que depois dirigiu em Teodora, a Imperatriz de Bizâncio, mas sua obra-prima, para mim, é… Por que ‘uma’ obra-prima? Ricardo Fredda fez Agi Murad, o Diabo Branco, com outro astro-halterofilista que já morreu, Steve Reeves, que é maravilhoso (na minha lembrança, pelo menos)e também As Sete Espadas do Vingador e O Magnífico Aventureiro, ambos com Brett Halsey. Adoro o último, que conta a história de Benvenutto Cellini e o ponto do filme é o artista como aventureiro, o reverso perfeito de Hatari!, de Howard Hawks, em que o aventureiro (John Wayne) é um artista em permanente embate com a natureza. Meu post é sobre Gordon Scott, mas eu estou preferindo falar sobre Riccardo Freda, que também fez filmes de terror com o pseudônimo de Robert Hampton, criando a série do Dr. Hitchcock, com Barbara Steele. Li uma vez, mas nunca consegui confirmar, que Michelangelo Antonioni teria dirigido, anonimamente, cenas de um épico de Riccardo Freda, O Signo de Roma, de 1958, com Anita Ekberg e Georges Marshall. Será? Antonioni estava se preparando para fazer, em 1959, A Aventura, se a informação for verdadeira. De volta a Scott, ele morreu no dia 30 de abril, aos 81 anos. Permitam-me uma licença poética. Gostaria de acreditar que John Waters foi ao enterro. Afinal, Gordon Scott morreu em Baltimore.