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Luiz Carlos Merten

29 Novembro 2010 | 14h10

Acabo de escrever o necrológio de Leslie Nielsen para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’. O tenente Frank Drebin da série ‘Corra Que a Polícia Vem aí’ morreu ontem à noite em Miami, aos 84 anos. Devo dizer que sempre me diverto com Nielsen. Quando aparece o nome dele em alguma comédia, nos filmes da TV, sempre acrescento (já virou fórmula), ‘com Leslie Nielsen sempre se pode rir um pouco’ (e é verdade, creio). O curioso é que ele começou como ator dramático. Não chamava atenção. Quem é capaz de se lembrar de Leslie Nielsen em ‘O Planeta Proibido’, de Fred M. Wilcox, e  ‘O Destino do Poseidon’, de Ronald Neame. O primeiro é de 1956, o segundo, de 1972 – foram 16 anos durante os quais não ocorreu muita coisa em sua carreira. Ele fez muito western, para TV, pelo menos. Episódios de ‘Gunsmoke’, de ‘O Homem de Virginia’. A guinada ocorreu em ‘Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu’, de 1980, que deu origem não apenas a uma série, mas a toda uma tendência, o besteirol, o filme piada, que não pretende outra coisa senão ser paródico de outros filmes. Leslie Nielsen era, de certa forma, um Buster Keaton menor. Como aparvalhado, nunca tinha consciência dos estragos que provocava ao seu redor. O mundo podia desabar e ele olhava sério para a câmera, quase com candura. Pode parecer piegas, ou chavão, mas o mundo fica menos divertido sem Leslie Nielsen.

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