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Luiz Carlos Merten

19 Junho 2012 | 00h39

RIO – Cá estou, cheguei no final da tarde, mal tive tempo de me instalar no hotel e já corri para o Odeon, onde assisti, às 8 da noite, ao documentário ‘Amazônia Eterna’, de Belisário Franca, no Good Planet Film Festival, e o M tem o formato de coração. É um festival de gente que ama o planeta e, por isso mesmo, está interessado em discutir a sustentabilidade, o que faz do evento um complemento necessário à Rio + 20. Na verdade, vim para entrevistar amanhã o Edward Norton, mas ele também está aqui como embaixador da ONU para questões do meio-ambiente e, desta maneira, integra a programação do Rio+ 20, participando de paineis para debater… Amanhã, já é quase meia-noite, vou ficar sabendo. Devo alguns posts a vocês, coisas que me foram propostas ou pedidas e eu também quero falar da ‘Ifigênia’ que vi no sábado, no teatro, e da qual gostei, apesar de um começo desconcertante que quase me fez desistir. Ainda bem que perseverei, porque o que veio depois foi gratificante, mas falo em outra oportunidade. A Cinelândia, aqui no Rio, está cheia de cartazes que vocês poderão conferir acessando o site www.terravistadoceu.com. A Terra vista do alto, do céu, uma sucessão de imagens impressionantes, enriquecidas por informações que discutem,  justamente, o estado atual do planeta. Sem sustentabilidade não há solução, mas há esperança, sim. ‘Amazônia Eterna’ me explicou a rain forest  de uma forma como nunca tinha entendido antes a região, mas o filme me fascinou como cinema, como experiência estética admirável que é. Fui conversar rapidinho com o diretor no final,. manifestei minha impressão – favorável – e ele, sem afetação, concordou comigo que é cinema, e do bom, sim. Seu objetivo não foi fazer um filme informativo nem didático, mas um filme, ponto. Fui jantar no Amarelinho e fiquei pensando com meus botões que, mais uma vez, meus orixás, que devem ser poderosos, me trazem ao lugar certo. Não havia avaliado corretamente o significado de estar no Rio hoje, aqui e agora. ‘Veja’ pode ter estampado na capa, numa reportagem que não li, que as questões que realmente importam ficaram de fora da conferência da ONU sobre sustentabilidade e meio-ambiente, mas há um clima nas ruas, uma euforia meio carnavalesca, que me fez lembrar o Fórum Mundial Social, em Porto Alegre. Eu estava lá, o cinema me levou. Estou aqui, e o cinema me trouxe. Um bando de românticos celerados que acreditam que ainda é possível salvar o futuro. O filme de Belisario Franca é sobre isso. Possui uma elaborada estrutura audiovisual. Cheguei a pensar num ‘Koyaanisqatsi’ nacional. É tarde, vou dormir. Daqui a pouco, cedo, mas cedo mesmo, 6h30, devo entrevistar Christophe Honoré. O dia vai ser agitado, vou entrevistar (por telefone) até a técnica que restaurou ‘Wings’, de William A. Wellman, vencedor do primeiro Oscar, numa pauta comemorativa do centenário da Paramount. E ainda quero ver se vejo alguma coisa do CineSul antes de voltar, à noite, para São Paulo. Agitação é comigo. E, ah, sim,. Eliana Souza, pauteira do ‘Caderno 2’, me fez saber, quando eu saía da redação para o aeroporto, que a… concorrência detestou ‘Apenas Uma Noite’. O crítico, sei lá quem, achou o filme incoerente. Como é que é? Eu sustento que é bom, tão bom que acaba de passar pela prova que faltava.