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Luiz Carlos Merten

16 Maio 2010 | 16h46

CANNES – Ainda não tive tempo de contar para vocês que comprei a biografia de Jean-Luc Godard, por Antoine de Baecque, co-autor, com Serge Toubiana, de outra biografia, a de François Truffaut. A vida de Godard já havia sido contada em dois livros em língua inglesa. Esta é a primeira biografia editasda na França. Godard desauitorizou as outras duas e, embora não tenha colaborado com esta – nem gostado do resultado -, não fez nada para impedir sua circulação. Ele se queixa de inverdades que atingem principalmente sua companheira, Annie-Marie Miéville. O livro é um calhamaço de 900 páginas – estou chegando na metade -, resultado de uma extensa pesquisa. Baecque fez trabalho de jornalista. Entrevistou familiares, amigos e colaboradores. Godard, aliás, não perdoa a irmã, que forneceu importantes documentos para o escritor. Baecque também fez um levantamento extenso do que Godard escreveu e do que se escreveu sobre ele, um trabalho obviamente insano. Estou gostando bastante. Não sabia da divisão familiar. A família da mãe, os Monod, pertenciam à alta burguesia. A do pai, os Godard, era proletária. O jovem Godard tinha propensões ao roubo. Apropriou-se de tesouros literários do avô materno – relativos principalmente ao espólio do poeta Paul Valéry – para vender a antiquários e chegou ao ponto (olhem que 171!) de fugir com a caixa de ‘Cahiers du CInéma’, o que o tornou suspeito aos olhos de colegas da revista. Mais tarde, quando assumiu a função de attaché de presse da Fox, Baecque, citando Rivette, diz que agora ele não precisava mais roubar. À parte essas curiosidades, ou baixarias, o livro é muito revelador – sobre o personagem e o cineasta. Amanhã volto ao assunto. Agora, tenho de correr para não perder Takeshi Kitano.

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