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Cultura » Glória do desporto nacional, ó Internacional

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Luiz Carlos Merten

15 Dezembro 2007 | 23h48

Minha tarde incluiu uma passagem pelo Hospital 9 de Julho, mas não vou perder tempo falando sobre esses percalços da terceira idade porque tenho assunto muito mais importante. Tinha o DVD de ‘Gigante, Como o Inter Conquistou o Mmundo’, mas não quis ver dessa maneira o filme do Gustavo Spolidoro sobre a épica partida no Japão. Aquilo é coisa para ver no cinema, numa telona. Sou colorado, nunca fui muito doente – trabalei durante anos na editoria de Esportes em ‘Zero Hora’ -, mas tenho de confessar que vi ‘Gigante’ em êxtase. Sou suspeito, reconheço, mas a montagem do Giba Assis Brasil é espetacular e a construção do tempo é muito inteligente. Chorei, e se arrependimento matasse vocês não estariam lendo essas linhas porque eu já me teria ido. Até pensei, no ano passado, em ir a Porto Alegre para a festa da chegada. Não fui e deixei de me integrar à euforia daquela massa vermelha, logo eu que, há mais de 20 anos, assisti ao desfile do Grêmio em carro de bombeiro, quando o arqui-rival ganhou o título de campeão do mundo. Queria ter estado lá e, ao ver a emoção dos colorados na tela, confesso que fiz uma ponte entre o futebol e a dança no filme da Laís Bodanzky, mas que interessa a minha ponte? Vocês devem ver o filme, e não precisam ser torcedores do Inter, embora, é claro, se forem será melhor. Vou ter de falar de novo em ‘Gigante’. Não apenas aqui. O ‘Caderno 2’ não fez nenhuma crítica do filme, mas eu quero que a minha saia na editoria de Esportes, lá no ‘Estado. Sou exagerado, passional, vocês sabem, mas se não for assim não serei eu. Meu colega Luiz Zanin Oricchio escreveu, na Coleção Aplauso (da Imprensa Oficial), um livro inteiro para falar de cinema e futebol. Zanin lista um monte de filmes, incluindo alguns considerados clássicos, como ‘Garricha, Alegria do Povo’, de Joaquim Pedro de Andrade, e ‘Subterrâneos do Futebol’, de Maurice Capovilla.Tenho de admitir que gosto de poucos filmes de futebol. Gosto de ‘Boleiros’, do Giorgetti, mas aí é uma ficção (legal e aquele episódio do Paulinho Majestade é magnífico). Minhas preferências são por três documentários, aquele sopbre Zidane, que concorreu em Cannes, no ano passado, uma coisa de louco como linguagem; o ‘Todos os Corações do Mundo’, de Murilo Salles, outra coisa de louco, pela emoção; e agora o ‘Gigante’, que tem as duas coisas. Descontem a paixão do torcedor. A montagem, o tempo, os heróis. Gustavo Spolidoro me arrebatou (e arrebentou).

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