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Luiz Carlos Merten

12 Janeiro 2009 | 08h59

Bem que me esforcei. Fui ver ‘Paixão Proibida’ – mais tarde eu falo sobre o filme de Serge Gainsbourg – e depois tentei ver o Globo de Ouro que, como sempre, começa pelas séries, premiando TV. Rubens Ewald fazia seus comentários – ‘a série mais popular atualmente’, ‘o ator favorito’, ‘a atriz que foi uma surpresa’. Estava falando grego para mim. Vocês já me disseram que sou burro, perdendo as séries, mas não tenho paciência. Chega já ter me prendido, desde o hospital, a essa porcaria de ‘A Favorita’, cujo final, ainda por cima, vou perder, pois viajo para Paris na quarta-feira à noite. Dei uma olhadela mínima, apareceu um inglês, que não identifiquei, fazendo umas piadas bobas – eram sdirigidas a Leonardo DiCaprio – e eu achei melhor ir para o meu quarto ler. Bye bye, Globo de Ouro. Hoje pela manhãm, ao chegar no jornal, descobri que ‘Slumdog Millionaire’ foi o melhor filme, Danny Boyle, o melhor diretor, pelo melhor filme, Mickey Rourke, o melhor ator (por ‘O Lutador), Heath Ledger, o melhor coadjuvante (por ‘Batman, o Cavaleiro das Trevas’) e Kate Winslet, a grande vencedora feminina, faturando os Globos de atriz e atriz coadjuvante, por ‘Apenas Um Sonho’ e ‘O Leitor’. Será que essa premiação diminui as chances de ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ no Oscar? Vejam que não apenas ‘Benjamin Button’, mas ‘Milk’ e ‘A Troca’ também entraram pelo cano no Globo de Ouro. No ano passado, me lembro que alguém – que certamente presta mais atenção do que eu a essas premiações – observou que o Globo de Ouro há muito deixou de ser prévia do Oscar. Recebi outro dia um e-mail, acho que do Maneco Siqueira, da Europa, anunciando que a companhia ia distribuir ‘Slumdog’ no Brasil. Não vi a maioria desses filmes – não sei nem do que trata o tal ‘Millionaire’ -, portanto, não posso opinar sobre as premiações. Mas confesso que fico contente por Kate Winslet, que, por mim, já deveria ter ganhado o Oscar, anos atrás, por ‘Pecados Íntimos’. Como havia visto quatro ou, mesmo,. cinco dos indicados para melhor filme estrangeiro – não me lembro direito dos concorrentes, mas a lista era formada por filmes que já conhecia, ou faltava um –, aprovo integralmente a premiação de ‘Waltz with Bashir’, a espetacular animação israelense de Ari Folman, sobre o massacre de palestinos no campo de Chatyla. Além de obra excepcional, e ousada, o filme é de uma atualidade impressionante, neste momento em que Israel aproveita o vazio norte-americano – Bush, carta fora do baralho,ainda não foi embora; Obama ainda não assumiu e está mais preocupado com a economia – para nova ofensiva sangrenta em Gaza, desproporcional (não sou eu que digo, é essa pobre senhora à qual quase ninguém presta atenção, a ONU) aos ataques do Hamas.