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Globo de Ouro, a noite promete ser longa

Luiz Carlos Merten

07 Janeiro 2018 | 19h52

FOZ DO IGUAÇU – Estamos a poucas horas do Globo de Ouro. E como estou aqui na Argentina, uma hora atrás do Brasil – no hay horario de verano -, terei de sintonizar na TNT às 10 da noite. Confesso que não tenho muita paciência com os prêmios da Associação de Correspondentes Estrangeiros, que dedica toda uma parte à TV, a séries que não vejo, e ainda tem essa divisão entre drama e comédia ou musical, tão absurda que um ator de terror – Daniel Kaluuya, por Corra!, de Jordan Peele – concorre a melhor na segunda categoria. A bem da verdade, até acho interessante – Corra! não é musical, portanto só pode ser comédia; paródia? -, e isso porque, ao contrário da maioria, não me impressionei com a tal ‘originalidade’ de Peele, até porque o filme dele é a versão black de As Esposas de Stepford, ou não? Nada como apostar na falta de memória, ou informação, da crítica. Mas, enfim, o Globo de Ouro… A Forma da Água, de Guillermo Del Toro, é recordista de indicações no cinema, concorrendo em sete categorias. Concorre em drama, naturalmente, embora tenha mais momentos de comédia ou musical que Corra!, dependendo do ponto de vista, mas é melhor deixar para lá. Como ‘drama’, concorre com Dunkirk e Me Chame pelo Seu Nome e, por mais que goste do longa do italiano Lucca Guadagnino, só tenho de ser coerente comigo mesmo e torcer por Dunkirk, mesmo achando que não leva, porque o coloquei em primeiro na minha lista do Estado. Melhor filme do ano, e não apenas do cinemão. Não vi Lady Bird – É Hora de Voar, de Greta Gerwig, favorito na categoria de comédia ou musical, e mesmo tendo gostado – muito – de O Rei do Show não é coisa para ser melhor do ano. Abstenho-me nessa categoria. Como é tradição, concorrem cinco dramas, e cinco comédias ou musicais, mas só cinco diretores. Um Steven Spielberg que ainda não vi (The Post – A Guerra Secreta), um Ridley Scott pelo qual estou curioso (Todo o Dinheiro do Mundo) e um Martin McDonagh que fez o maior sucesso na Mostra (Três Anúncios para Um Crime). Nolan deveria ganhar, mas, como seu filme, duvido. Já o Del Toro tem toda chance do mundo, até como reação à xenofobia da era Trump. Aliás, é o que mais promete na premiação desta noite. Como a Associação e seus premiados se comportarão nessa era de repúdio ao ocupante da Casa Branca, e também de tantas denúncias de assédio que não param de repercutir em Hollywood? No quesito atrizes, mesmo com dez indicações, cinco em cada categoria, a Associação conseguiu ignorar as maiores interpretações do ano – Kate Winslet (Roda Gigante), Cynthia Nixon (Além das Palavras) e Florence Plugh (Lady Macbeth). Atores? Torço por Timothée Chalamet, que Pedro Almodóvar e eu consideramos a maior revelação do ano (encontrei um texto dele na internet). Chalamet concorre a melhor ator de drama com Gary Oldman, o Churchill de O Destino de Uma Nação. Ainda não vi e poderei gostar muito, até porque tenho imenso apreço por Joe Wright como diretor (com seus admiráveis planos-sequências). Mas, para mim, foi um choque descobrir que havia esse outro Churchill, até porque coloquei nas nuvens Brian Cox e Miranda Richardson pela outra versão do mesmo (mítico) personagem. Vamos lá. A noite, como diria Margo Channing, vai ser longa.