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Luiz Carlos Merten

21 Abril 2008 | 10h33

Conta a lenda que Greta Garbo teria dito a Jean Cocteau, antes de assistir a ‘A Bela e a Fera’, ‘Étonne moi, Jean’ e, depois, ‘Give me back my beast’. Conto, e reconto a história, porque acho muito legal. Penso que, no fundo, todos nós queremos ser surpreendidos, e ficar maravilhados, no cinema. Neste fim de semana, fiquei maravilhado no teatro. Havia visto em Paris ‘Le Dieu du Carnage’, com Isabelle Huppert, e não quis perder esta outra peça de Yasmina Reza, ‘O Homem Inesperado’, que Nicete Bruno e Paulo Goulart estão apresentando no Teatro Renaissance. Fui ver no sábado e ontem, no Tuca, assisti a ‘Virgulino e Maria’, com Marcos Palmeira e Adriana Esteves. Acho que existe, principalmente na crítica de cinema, um preconceito muito grande contra os globais – tão grande que nivela tudo por baixo e ignora que existam atores e estrelas no elenco da Globo. Já ouvi de muito diretor que não filma com global de jeito nenhum, como se isso fosse comprometer a integridade estética do seu projeto. O autor que mais personifica o cinema de autor no País, Bressane, colocou logo dois em ‘Cleópatra’, Alessandra Negrini e Miguel Falabella. Ah, mas é Bressane, já ouço as pessoas dizerem… Justamente, mesmo quando ele utiliza os glo bais não é para mero repeteco do estilo naturalista da televisão, o que me leva a crer que o problema não são os atores, mas os diretores. Não havia gostado da filha, Beth Goulart, na adaptação de ‘Ligações Perigosas’, mas gostei muito dos pais, Paulo Goulart e, principalmente, Nicete Bruno em ‘O Homem Inesperado’. Ela é a peça, que converge para aquela fala maravilhosa da personagem no final. Achei bem legal. Achei melhor ainda ‘Virgulino e Maria’. O post está comprido. Leiam o próximo.