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Luiz Carlos Merten

31 Agosto 2009 | 10h44

Havia visto ‘Almoço em Agosto’ no Festival do Rio do ano passado. Na sequência, entrevistei o diretor, roteirista e ator Gianni di Gregorio, que é ótimo. Conversamos sobre seu trabalho com Matteo Garrone, o diretor de ‘Gomorra’, que é quem produz ‘Almoço’. O filme ganhou o Leoncino d’Oro, o Leãozinho de Ouro, para obra de diretor estreante, em Veneza. Na Itália, nenhum produtor se interessou pela história do inadimplente que cuida de um grupo de velhas. Quem vai se interessaer pelo assunto, diziam os produtores? Além de premiado, o filme foi um grande sucesso nos cinemas italianos. Di Gregorio me contou tudo isso feliz da vida, mas foi legal rever agora o filme porque pude apreciar uma outra informação que ele deu. As velhas, as atrizes, não davam mole. Competiam entre si e ele me contou que Marina, a sexy, que foge de casa para beber e fumar e fica de olho no ‘Viking’, não era fácil de controlar. Ela queria o tempo todo se sobressair. Quando Do Gregorio me contou isso, registrei, mas já havia visto o filme. Revendo, captei com outros olhos – mais maliciosos? – a participação da atriz. E Di Gregorio é ousado. Logo no começo, ele lê ‘Os Três Mosqueteiros’ para a mãe. O trecho refere-se à facilidade com que o herói, D’Artagnan, aceita dinheiro das mulheres. O próprio Gianni, no filme, a princípio só pensa em se livrar de suas velhas, mas depois uma lhe dá um bilhete de 100 euros aqui, depois três bilhetes de 100 euros ali. A relação do herói começa a mudar. Um gigolô de velhas – de idosas, ‘da melhor idade’, vamos ser politicamente corretos. Por que não? O filme é muito legal. E as atrizes, maravilhosas. A que faz a mãe dele tem conversas com o filho que são uma delícia. O tom confidencial – e ‘conspiratório’ – com que ela se expressa… Havia bom público ontem à noite no Reserva Cultural. Não conferi, mas espero que outro filme ‘pequieno’, do qual gosto muito – gosto até mais, para ser exato -, também esteja atraindo boas platéias. É o ‘Gigante’, de Adrián Biniez.