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Getúlio ou os militares, o que revelam as imagens do Estado Novo?

Luiz Carlos Merten

20 Março 2018 | 08h46

Havia tentado ver Imagens do Estado Novo à tarde, no IMS. Não deu – estava fechado. Lá vou eu fazer inimigos. M… de instituto. Como se integra a um circuito lançador e fecha? Terminei vendo o filme à noite, na sala 5 do Arteplex Frei Caneca. O filme tem quase 4 horas – 3h47. Nunca vi tanto trailer de documentário e, depois, intervalo. Durou mais de horas. Mais! Ainda estou digerindo. Eduardo Escorel usa imagens oficiais e se pergunta se, por meio delas, pode-se contar uma outra história – mais crítica. Uisa o diário de Getúlio Vargas e se questiona se será uma fonte primária válida? Dissocia imagem e texto – narração. Às vezes, o que aparece na imagerm parece não ter nada a ver com o texto. E volta e meia, a tela fica preta, sem imagem nenhuma. Há, embutida em Imagens do Estado Novo, uma discussão sobre o cinema, justasmente como imagem. Umna imagem de época é real, mas quanto? E o texto, que a valida, contradiz? Interessante discussão. O filme é sobre o Estado Novo, o golpe de Getúlio. É mesamo sopbre isso? Nãããoooo. O filme é sobre as Forças Armadas, fiadoras do Getúlio do Estado Novo. É sobre as Forças Armadas que o depuseram e sobre o papel delas quando o ex-ditador voltou ao poder, democraticamente eleito. Getúlio, no filme, é o fiador dos pobres. As Forças Armasdas, mostra o filme, têm outra agenda. Associadas a setores civis, instituíram a ditadura cívico-militar. É mera coincidência que esse filme que exigiu pesquisa, edição demorada – todo um processo –, chegue às salas no momento em que os militares intervêm no Rio, o debate sdobre a Previdência provoca protestos e o País rumina o assassinato de Marielle Franco? Coincidência, talvez, porque Escorel não tinha bola de cristal, mas o timing de lançamento de seu filme não poderia ser mais perfeito. Não creio que, como cinema, Imagens do Estado Novo seja tão bom quanto Piripkura, por exemplo, mas vale encarar suas 4 horas. Não éramos muitos, na sala 5. Luiz Zanin, mas nem nos falamos. O debate é necessário.