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Luiz Carlos Merten

25 Janeiro 2010 | 10h51

TIRADENTES – Saí ontem no final da manhã de São Paulo e consegui chegar aqui em TIradentes às 6 da tarde. Mal tive tempo de fazer o check-in do hotel e já corri à tenda para minha primeira sessão da 13ª Mostra. Já perdi das vezes em que aqui estive, participando de debates e/ou assistindo a filmes. No ano passado, não vim. Adoro MInas e tenho boas recordações, inclusive aqui mesmo de Tiradentes, que visitei há muitos anos, antes que a Lúcia nascesse, com minha ex, Doris Bittencourt. Vi ontem dois filmes – estou aqui como jurado da crítica, mas a mostra Aurora começa somente hoje. O evento decolou na sexta, com uma hoimenagem a Karim Ainouz e prosseguiu sábado com a exibição de dois filmes que não encantaram muito – ‘Insolação’, de Felipe Hirsch e DAniela TYhomas, e ‘Os Inquilinos’, de Sérgio Bianchi. O seguindo, apesar de tudo, me interessou mais, mas implico com aquela imagem do final. Marat Descartes que vai à casa ao lado e vê seu pequeno mundo do ângulo dos inquilinos. Pela janela, sua mulher dá aquele sorriso enigmático que me incomoda demais ne desmonta tudo o que tento construir sobre o filme. Preciso revê-lo antes da estreia, de qualquer maneira. O próprioo Bianchi me disse que a estreia foi jogada para 26 de fevereiro, quando, teoriocamente, estarei chegando de Berlim – e isso se não emendar a Berlinale com a junkett de ‘Alice no País das Maravilhas’, em Londres. Volto às sessões de ontem. Assisti, de novo, a dois filmes que já conhecia. Foi ótimo. ‘Morro do Céu’, de Gustavo Spolidoro, e ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’, de ESmir Filho, dialogam entre si e terminaram se iluminando, e enriquecvendo, de uma forma que me javia escapado. Gostei bem mais de ambos, que possuem muitas similaridades – feitos na mesma região do Rio Grande do Sul, falando sobre jovens, e tendo como protagonistas um garoto que, no fundo, quer fugir daquilo tudo. Em ambos existem trilhos, trens, os amigos, as mães indagadoras e, a despéito de ‘Morro’ ser documentário e ‘Os Famosos’, ficção, o tema dos dois, no fundo, é a linguagem. Os garotos de ‘Morro’ falam um portugês italianado que muitas vezes obriga a gente a seguir as legendas em inglês. São estudantes precários como os do filme de Esmir e o que seria uma diferença maior – maior que a morte – é o elemento homoerótico, mais intenso em ‘Os Famosos’, cuja linguagem é a do computador – mas, no fundo, as pessoas secretam e fabulam em ambos. Gostei muito das intervenções do garoto de ‘Morro’, tentando se comunicar com a sua ‘borboletinha’ pela via do rádio e, desta vez, finalmente, fui tocado pela fragilidade das personagens femininas de Esmir, a garota suicida e a mãe que não consegue superar a ausência (morte) do marido. Minha amiga Margarida Oliveira me confessou, na Mostra, que havia chorado na cena em que a mãe dança com o filho. Ontem, entrei no clima. Quando ele a abraça, e chora, na verdade está se despedindo. Mais uma ou duas vezes – já vi três – e eu termino gostando de verdade de ‘Os Famosos’. O filme, por sinal, vai a Berlim, na mostra Gerações, que é competitiva. Vamos lá.