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Luiz Carlos Merten

03 Fevereiro 2008 | 18h56

BARCELONA – Só eu mesmo, reconheço. O Barça está jogando, e com Ronaldinho, mas em vez de ir ao estádio vi parte do jogo de um bar de tapas na Rambla. Hoje, domingo, foi o dia de conhecer a cidade. Fiz o recorrido Norte, que passa pelas obras-primas de Gaudí – as casas Battlò e Milá, a igreja da Sagrada Família, o Parque Guell. Depois, o recorrido Sur, que passa pelas Ramblas e, antes dela, circula pelo morro, passando pelo grande estádio construído para a Olimpíada de 1992 e o teleférico, do qual se tem uma vista espetacular da cidade. Barcelò, descobri hoje, começou como uma colônia romana fundada em 15 a.C. A cidade se desenvolveu daí e o chamado ‘Bairro Gótico’ é a herança desta Barcelona milenar. No fim do século 19, Barcelona sediou a Feira Mundial, que deu extraordinário impulso ao seu desenvolvimento. O modernismo arquitetônico começa aí. Há uma praça, Catalunya, nque praticamente divide a cidade em duas. Pasra baixo, o mar e as Ramblas, a parte asntiga. Para as montanhas, a moderna. Mas a coisa não é assim tão simples. Para a Olimpíada, Barcelò reconquistou o mar. A Vila Olímpica foi construída na Rambla e deu origem a um bairro sofisticado (e caro). Dei uma geral nisto tudo no dia de hoje. Confesso que chorei! Diante da igreja da Sagrada Família, não sei, foi incontrolável. Eu olhava e chorava. O gênio de Gaudí! A pedra trabalhada, o movimento, as alegorias. Juro que tive a mesma emoção que experimentei, no MoMa, em Nova York, diante daquele girassol de Van Gogh. O gênio humano. Juro que eu estava precisando desta emoção. Havia lido no jornal que os casos de abuso infantil e a violência contra animais são verdadeiros flagelos na Espanha. Crianças são seqüestradas e, na maioria das vezes, não é por resgate. Sei que parece absurdo comparar crianças e animais, mas não é isto. Não estou comparando, mas são diferentes formas do mesmo horror. O jornal ‘Popular’ publicou fotos de cães atacados com barras de ferro. Ainda bem que existe Gaudí e a sua Sagrada Família. Para manter o assunto no cinema, Antonioni filmou aqui parte de “O Passageiro, Profissão – Repórter’. Já que voltamos ao cinema, assisti a ‘Juno’, de Ivan Reitman. No próximo post.