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Luiz Carlos Merten

03 Agosto 2010 | 09h37

Zaira Hayek, da Secretaria Municipal de Cultura, me ligou sugerindo que conversasse com Célio Franceschet, que faz a programação dos ciclos de cinema do Centro Cultural São Paulo e do Olido, sobre os quais tenho falado tanto aqui no blog. Aproveitei o que começa hoje – ‘Gângsteres e Caubóis’ – para citar o cara e até tentei entrar em contato, mas era horário de almoço e não encontrei o Célio no fixo nem no celular, ontem, por volta do meio-dia. Resultado – o nome dele saiu errado no texto de hoje, Franceschetti e não Franceschet. Sorry. O c iclo, propriamente, traz preciosidades que vale (re)ver. Não vou reproduzir aqui o texto do ‘Caderno 2’, mas ele se baseia num conceito reconhecido por críticos e historiadores de cinema – o gênero ‘gângsteres’ floresceu em Hollywood associado a momentos de crise da sociedade norte-americana, e isso desde o começo dos anos 1930, com obras emblemáticas como ‘Alma no Lodo’ (Little Caesar), de Mervyn LeRoy, e ‘Scarface, Vergonha de Uma Nação’, de Howard Hawks, Só o primeiro integra a programação, com o remake do segundo feito por Brian De Palma, com Al Pacino, nos anos 1980. Tão importante quanto destacar isso é acreditar que gângsteres e caubóis, como personagens de gêneros, sempre estiveram próximos e o grande Raoul Walsh até transpôs para o Velho Oeste – ‘Golpe de Misericórdia’ – a trama de seu ‘High Sierra’, Seu Último Refúgio, de 1940 ou 41, colocando Joel McCrea ve Virginia Mayo acuados como Humnphrey Bogart e ida Lupino no original. Os gângsteres estão muito bem representados no ciclo, desde os clássicos de Walsh (‘Heróis Esquecidos’ e ‘Fúria Sanguinária’, imperdíveis) até outro De Palma (‘Os Intocáveis’), duas versões do ‘Inimigo Público’ (a de John Milius e a recente, de Michael Mann), Arthur Penn (‘Bonnie & Clyde, Uma Rajada de Balas’), Scorsese (‘Os Bons Companheiros’), Cronenberg (‘Os Senhores do Crime’) e Leone (‘Era Uma Vez na América’). Os westerns incluem Leone (‘Era Uma Vez no Oeste’) e outro ‘macarrônico’, Sergio Corbucci (‘Django’), mas a ênfase está nos ‘gringos’, de John Ford (‘No Tempo das Diligências’) e Howard Hawks (‘Rio Vermelho’) ao Peckinpah crepuscular de ‘Meu Ódio Será Sua Herança’) e a Clint Eastwood (‘Os Imperdoáveis’). Mais até do que os filmes de gângsteres selecionados, os westerns dão a medida das transformações ocorridas no gênero e eu quero citar outro, recente, que muito me fascinou – ‘O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford’, de Andrew Dominik, com Brad Pitt –, mas confesso que, se tivesse de selecionar um só título desse ciclo memorável, seria europeu, e de gângster. Em ‘O Samurai’, Jean-Pierre Melville descobriu a dureza das linhas do rosto de Alain Delon e fez do meu ‘Rocco’ um personagem implacável, com um código de honra intransigente como o ‘bushido’. ‘O Samurai’ será um programão bom de emendar com os dois filmes de Johnny To sobre as tríades, as organizações criminosas dos gângsteres asiáticos, ‘Eleição’ 1 e 2. Franceschet me desculpe pela grafia errada. Mas fica o convite para que os cinéfilos se integram a ele, viajando pelo cinema de gênero.