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Gael, Selton, Matheus, Rodrigo,Wagner, quem é melhor?

Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2007 | 14h20

Não fui ontem à abertura da Mostra, nem à festa que se seguiu, mas já me informaram que Babenco, apresentando ‘O Passado’ no Ibirapuera, onde foi realizada a sessão, disse que viaja com passaporte brasileiro e faz filmes que refletem o Brasil, País que ele tenta entender desde que aqui aportou. Imagino que Babenco tenha falado isso um pouco porque seu filme é falado em castelhano, mas também por causa de uma polêmica que, nos últimos dias, agitou o meio cultural (e na qual temo entrar, até porque acompanhei o assunto só de ouvir falar. Nestas condições, nada mais fácil do que terminar cometendo uma injustiça.) Ocorre que Mario Bortoloto, em seu blog, tomou as dores dos atores brasileiros, que teriam sido ofendidos pelo diretor de ‘O Passado’, que teria dito – tudo no passado imperfeito – que não poderia fazer o filme com atores brasileiros, porque nenhum é tão grande quanto Gael García Bernal. Foi isso mesmo? Não creio que Babenco quisesse subestimar os atores brasileiros, até porque ofereceu condições para que muitos deles apresentassem grandes criações, em outros momentos de sua carreira. Também, a essa altura do jogo, ficar se referindo a ele como ‘argentino’, me parece sacanagem. Ainda bem que existe esse brasileiro-argentino. Mesmo não gostando de alguns filmes que ele fez, aqueles de que gosto são essenciais e constróem, paradoxalmente, já que se trata de um ‘estrangeiro’, uma identidade brasileira na tela. Mas eu falei com Babenco. Ele ia fazer ‘O Passado’ inicialmente com Rodrigo Santoro, na fase em que pensava realizar o filme no Brasil. Quando entraram os produtores argentinos – e foi assumida a decisão de filmar em Buenos Aires –, não é que ele tenha desconfiado do talento de Rodrigo (ator de ‘Carandiru’, no qual fez aquele papel), mas obrigar o cara a representar em espanhol não apenas seria forçado como havia outro problema. Babenco, com conhecimento de causa, fala do jovem-velho como um traço da identidade argentina. Ele precisava de um jovem-velho e de um ator com determinadas características físicas e emocionais. Gael caiu como uma luva, mas não é porque os atores brasileiros não prestassem. Duvido que a chamada na capa da revista ‘Set’, que desencadeou toda a história, seja 100% fiel ao pensamento de Babenco. Ele estaria indo contra o que me disse na entrevista de ontem no ‘Caderno 2’. Me parece muito mais um reducionismo nascido da necessidade de criar uma chamada forte para capa. (Estarei sendo injusto com o Sadovski, o Rodrigo Salem e o Alessandro Giannini? Espero que não.) Quanto aos atores brasileiros não serem bons…? Nem falo nos velhos. Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, João Miguel. Chega ou querem mais? Babenco pode ser louco, dentro da normalidade (como você e eu). Mas não é louco-louco a ponto de negar a evidência de que temos, sim, grandes atores jovens. Nada disso impede, porém, que Gael tenha sido a escolha perfeita para o jovem-velho de ‘O Passado’.