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Luiz Carlos Merten

03 Março 2012 | 12h54

Só eu mesmo… Precisei mandar algumas mensagens, e o fiz do computasdor de casam, mas agora, para postaer, dei-me ao trabaslho de pegar um táxi e vir ao Centro, em busca de uma lan house. Lembro-me daquele filme, ‘Denise Está Chamando’. Aqueles amigos usam todo o aparato que o desenvolvimento tecnológico lhes propicia para se comunicar vitualmente, sem sair de casa. Eu fora. O Festival dos Melhores Filmes, em homenagem a Leon Cakoff, exibe verdadeiras preciosidades neste fim de semana. Estou pensando se vou ver às 2 da tarde ‘Paixões Que Alucinam’. Revi o o filme de Sam Fuller não faz muito tempo, em Paris, acho que no Accatone, rue de Cujas, grudadinho na Sorbonne. É curiosio como a simples menção ao filme faz desfilar um monte de imagens no meu imaginário. Lembro-me dos amigos, alguns que já se foram. Jefferson Barros escreveu um belo texto sobre o filme. Ele amava o cinema ‘demencial’ do Fuller e é bem de demência que ‘Paixões Que Alucinam’ trata. Um jornalista interna-se num instituto psiquiiátrico para escrever a matéria de sua vida. Mas os deuses enlouquecem primeiro aquelesd a quem querem destruir e ele termina doidinho. O mundo dentro da casa de loucos é a expressão da loucura aqui fora. Por volta de 1960, Fuller já havia imaginado o negro que se toma por integrante da Ku Klux Klan, a KKK, que pregava a supremacia branca. Nenhum outro filme da época radicalizou desse jeito o foco no racismo. E o filme tem Constance Towers. Constance quem? Eu a amava, ela foi atriz de Fuller, dois filmes – este e o posterior ‘Beijo Amargo’, e dois de John Ford, ‘Marcha de Heróis’ e ‘Audazes e Malditos’. Em ‘Beijo Amargo’, Comnstance é a prostituta que diz que fará tudo para deixar aquela vida, mas quando se casa com um milionário e descobre que ele é pedófilo e o casamento é só fachada, não há arranjo possível. Grande Fuller. A programação de hoje no MIS, Museu da Imagem e do Som, inclui ‘Uma Rua Chamada Pecado’, ou ‘Um Bonde Chamado Desejo’, de Elia Kazan, baseado em Tennessee Williams, com Vivien Leigh como Blanche Dubois, às 4 e, na sequência, acho que às 6 e 20, ‘Paisagem na Neblina’, de Theo Angelopoulos, o grande diretor grego que morreu em janeiro. Os planos sequência de Angelopoulos! De todos esses filmes, é o que mais gostaria de rever, hoje. Amanhã, às 2, tem John Ford, ‘O Homem Que Matou o Facínora’ e o western nunca mais foi o mesmo depois que Tom Doniphom/John Wayne matou Liberty Valance/Lee Marvin, deixando que Ranson Stoddard/James Stewart ficasse com a fama. A glória dos derrotados, a essência de Ford. Posso preferir ‘Rastros de Ódio’, mesmo com o índio morto que respira, mas nunca esquecerei a emoção que tive ao písar em Monument Valley, um solo sagrado do cinema, descobrindo aquele lugar que se chama ‘Ford’s View’, onde ele gostava de colocar sua câmera. Os filmes da minha vida. Das nossas vidas. Cada um tem o seu, os seus. Independentemente de preferência, a homenagem a Leon é duplamente atraente. Permite homenagear o criador da Mostra e, para muita gente – os jovens -, quantos desses filmes, mesmo existindo em DVD ou podendo ser baixados na internet, não serão novidade?

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