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Luiz Carlos Merten

11 Outubro 2006 | 20h42

Falei ontem aqui do livro do Ruy Castro e fiz a ligação com o do Antônio Moniz Vianna, dois americanófilos atraídos pela grandeza da Hollywood dos anos dourados. Conversando com o Zanin, meu colega do Estado (e que tem seu blog, você sabe), ele me lembrou que o Ruy organizou a coletânea com as críticas de Moniz Vianna no antigo Correio da Manhã. Faço, aqui, minha mea culpa. Sabia que o Ruy estava organizando o volume, mas confesso que pensei que ainda não havia saído. Talvez tenha sido lançado em algum momento em que estive fora, em férias ou festivais internacionais, mas não recebi o livro e nunca o vi, em nenhuma das livrarias que freqüento. Como perderia um livro desses? É verdade que estranho, porque Um Filme por Dia foi editado pela Companhia das Letras, que não brinca em serviço. Moniz Vianna, como P.F. Gastal, o Calvero, de Porto Alegre, foi fundamental na minha formação de cinema, com o baiano Walter da Silveira, que descobri um pouco mais tarde. Os três foram mais importantes para mim do que figuras como Paulo Emílio Salles Gomes e Alex Viany, assumo. Tive até a vontade, anos atrás, de pesquisar a produção jornalística dos três, fazendo a ponte entre um jornalista de cinema do eixo Rio/São Paulo (Moniz Vianna) e outros dois fora do Eixo (Gastal e Walter da Silveira). Acho que seria interessante e até me inscrevi numa dessas bolsas de pesquisa, mas a comissão que avaliava os projetos com certeza não achou interessante, pois não fui contemplado. A produção do Gastal foi recuperada pela Prefeitura de Porto Alegre num volume valioso; a do Moniz Vianna, no livro organizado pelo Ruy; e para fazer reviver o pensamento de Walter da Silveira bastaria reeditar o seu Fronteiras do Cinema, que tem aquele texto belíssimo intitulado Um Instrumento do Humanismo, ainda maravilhoso, apesar de escrito há mais de 40 anos. O que eu queria fazer, a ponte entre os três, que a façam os leitores e internautas. Você, meu amigo cinéfilo, só terá a ganhar. Juro!