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Luiz Carlos Merten

17 Janeiro 2012 | 14h55

Queria contar que revi, em Santiago, na TV, ‘Frost Nixon’, de Ron Howard. Estava zapeando e entraram as imagens do filme, ou entou Frank Langella, maravilhoso como o ex-presidente que teve de renunciar por causa de Watergate. Ron Howard é um diretor que nós,. criticos, amamos detestar, ou melhor, meus colegas. Eu tenho, no mínimo, certo sentimento ambivalente. Exceto, talvez, Steven Spielberg, Howard é o diretor norte-americano de maior sucesso de público, mas eu, partricuylarmente, não gosto de seus filmes mais bem sucedidos na bilheteria. Tive a chance de entrevistá-lo algumas vezes, one a one inclusive, e confesso quer gujardo certo carinho por ele. Não me esqueço de que foi ator – menino em ‘Papai Precisa Casar’, de Vincen te MInnelli, adolescente em ‘O Último Pistoleiro’, de Don Siegel -, dois filmes, e diretores, que admiro. O ‘meu’ filme de FRon  Howard é o western ‘Desaparecidas’, com Cate Blanchett, que ele fez (me garantiu) sabendo que ia perder dinheirto, pelo prazer de visitar um gênero pelo qual é louco. Conversamos sobre John Ford e Anthony Mann – ‘O Preço de Um Homem’, The Naked Spur, foi seu modelo de uso da paisagem. Pois quero dizer que gosto muito de ‘Frost Nixon’, da ambivalência dos diálogos e da complexidade dos personagens (poderia escrever o oposto e seria válido). Mas o que me apaixona no filme é Frank Langella. Ele virou um grande ator depois de velho – é maravilhoso em ‘Boa Noite e Boa Sorte’, de George Clooney, e em ‘Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme’, de Oliver Stone, pena que a Academia de Hollywood nunca tenha percebido isso. Langella não é particularmente parecido com Nixon e Ron Howard não força a semelhançã. A cena em que Nixon, pressionado por Frost, comete o ato falho que entrega sua participação em Watergate é poderosa, mais que isso, mágica. É como se, ao assumir seu erro, ele se libertasse. Um pouco à maneira de Ford, a grandeza dos derrotados. Nixon, apesar de tudo, encerrou a Guerra do Vietnã e aproximou os EUA da China, mudando a história do século 20. O final do filme é genial. A consagração do jornalista e o ocaso do ex-presidente, que viveu estigmatizado, e solitário, até a morte. Cá estou eu elogiando, quem diria, o pai de Bryce Dallas Howard. Ele que deu o cacife à filha para que produzisse ‘Restless’, de Gus Van Sant, e em Cannes, no ano passado, Gus referiu-se a Ron como grande apoiador, não importa quão diferentes sejam seus cinemas. Me amarro nesse tipo de respéito, e generosidade, entre os diferentes (os opostos?). É o que impede de achar que o gênero humano não tem salvação.