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‘Força Policial’

Luiz Carlos Merten

26 Fevereiro 2009 | 16h09

Assisti agora pela manhã a ‘Força Policial’. Havia perdido as cabines de imprensa do thriller de Gavin O’Connor e a PlayArte, leia-se gentilmente Dona Elda, me proporcionou essa cabine exclusiva. O filme me perturbou bastante, mais até do que imaginava que fosse ocorrer. Achei que seria mais um filme sobre corrupção policial etc, mas encontrei um drama denso sobre relações familiares. O curioso é que fiz a minha crítica sobre ‘Os Três Macacos’ para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’, falando de parábola sobre coragem e covardia e o valor dramático da casa, o lar, como abrigo da fragilidade humana e me dei conta de que tudo isso é válido para ‘Força Policial’. O que diferencia os dois filmes é, claro, a mise-en-scène. Nuri Bilge Ceylan desenvolve aquele panteísmo que já defini como trágico. A natureza intensifica e metaforiza o turbilhão dos sentimentos de seus persionagens. O’Connor filma de forma realista os acertos de contas no inferno das cidades. Não estou dizendo que o filme com Edward Norton e Colin Farrell seja grande, mas que me surpreendeu, e favoravelmente. Duas curiosidades – 1) o elenco original deveria ser formado por Mark Wahlberg, Robert Duvall e Hugh Jackman. Desconfio de que tenham abandonado o barco por causa das similaridades com ‘Os Donos da Noite’, de James Gray, também sobre uma família de policiais e de seu envolvimento com o crime; e 2) como existem mudanças que vem para bem, justamente o elenco me pareceu o forte de ‘Pride & Glory’, mas não estou falando de Norton e Farrell, que, aliás, estão bem (especialmente o primeiro). Fiquei pensando no tal Oscar. Achei que Noah Emmerich e Jon Voight são excepcionais no filme e, por mim, teria acomodado um ou outro entre os cinco indicados para melhor coadjuvante, principalmente o Emmerich, que é um ator obscuro e para quem o reconhecimento daria prestígio. Mas o Oscar, com exceções, não premia atores nem interpretações. Contempla ‘astros’ e sua contribuição para a indústria, mesmo quando faz um afago indicando ousiders.

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