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‘Floresta Que Move’

Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2012 | 10h11

RIO – Não me conformo que o Festival do Rio 2012 já esteja terminando, com ótimos filmes, e o vencedor de 2011 permaneça inédito. Gostei demais da adaptação que Vinicius Coimbra fez de Guimarães Rosa, ‘A Hora e a Vez de Augusto Matraga’ , e ouso dizer que, apesar do que me pareceu um certo excesso de música – teria de rever -, seu filme consegue ser melhor que a versão cultuada de Roberto Santos, muito ‘japonesa’ para o meu gosto. Estou falando do uso da tele, que cria aquele balanço da imagem que Akira Kurosawa desenvolveu em ‘Yojimbo’ e ‘Sanjuro’. Nunca revi o filme do Vinicius, mas guardo excelente lembrança da luta do desfecho, em que o diretor de fotografia Lula Carvalho contou como câmera com ninguém menos do que seu pai, o grande Walter Carvalho. Falava, no post anterior, dos grandes atores da nova geração brasileira – João Miguel, Irandhyr Santos, Wagner Moura. João é o próprio Matraga e o filme tem participações de José Wilker (seu melhor papel em anos) e Chico Anísio (uma cena como coronel, tão boa que lhe deu um Redentor especial). Pois o ‘Matraga’, distribuído pela Nossa, não entra. O post é um pouco para protestar contra isso, mas também porque ontem encontrei a produtora Elisa Tolomelli, no Amarelinho, e ela me contou que o Vinicius começa logo a filmar ‘Floresta Que Move’. O cara não é mole – olhem que genial. O título refere-se ao que dizem as bruxas de ‘Macbeth’, antecipando a queda do rei. Entre um chope (ela) e um vinho (eu), Elisa contou que Vinicius transpõe seu Macbeth para o meio financeiro de São Paulo. Fiquei nos cascos e até sugiro ao Vinicius – alô, alô – que aproveite a próxima estreia do ‘Macbeth’ de Gabriel Villela no Rio, acho que na semana que vem, para ver uma leitura muito interessante da peça de Shakespeare. Pode parecer incoerente, mas gosto, no Gabriel, da japonesice – sua lady, interpretada por Cláudio Fontana, que se move como uma gueixa – que sempre me incomodou no ‘Matraga’ de Roberto Santos, embora Leonardo Villar seja soberano no papel.