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Cultura » Fina Estampa?

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Luiz Carlos Merten

07 Maio 2012 | 12h06

Vocês provavelmente já perceberam ou talvez achem que nem vale a pena corrigir, mas minha colega Eliana Souza, pauteira do ‘Caderno 2’ começou com um preâmbulo agora pela manhã. Disse que lê pouco meu blog, porque os post são enormes, sem parágrafos etc e tal. Já conversamos sobre isso, vocês e eu, mas aí a Lili chegou ao ponto. Ela foi ler ontem e riu copnsigo mesma. O velhinho (eu) está batendo os pinos, pensou. Não apenas troquei o nopme da novela do João Emanuel Carneiro e desencavei ‘Fina Estampa’ – é ‘Avenida Brasil’, claro -, como rebatizei ‘Piratas Pirados’ como ‘Piratas Irados’. Eh, Merten. Feitas as correções, quero voltar a ‘O Bandido da Luz Vermelha’. Não sei se foi a overdose de Boca do Lixo – o filme de Flávio Frederico, premiado no Recife, o de Helena Ignez, ‘Luz nas Trevas’, que estreia sexta -, mas realmente tive aquele estranhamento revendo o cult de Rogério Sganzerla. O que mais gostei foi a estrutura sonora do filme, com aquela locução de rádio que conduz a narrativa e a trilha cheia de música brega latina.Me lembrava da locução, mas não dos latinos. Legal! Aproveito para voltar aos spaghetti westerns. Citei o ‘Gringo’, Quién Sabe?, de Damiano Damiani, com Gian Maria Volontè e Lou Castel, e os dois Sergio Sollima com Volontè e Tomas Milian, ‘Quando os Brutos se Defrontam’, Faccia a Faccia, e ‘Corre, Uomo, Corre’. Esqueci-me do Eugene Martin, que Jean Tulard define como homem culto, e do seu ‘Bad Man’s River’, que tem o elenco mais exótico reunido no gênero – com exceção de ‘Era Uma Vez no Oeste’, claro. Martin (Eugenio Martin) reuniu Gina Lollobrigida, James Mason, Lee Van Cleef e como é mesmo que se chamava o outro, Simón Andreu, é isso? Para fechar essa sessão nostalgia do spahetti western só falta mesmo ‘Uma Cidade Chamada Bastardo’, com Robert Shaw e Stella Stevens. Jean Tulard, sempre ele, diz que o filme supera amplamente os spaghetti em voga, e já que ele generaliza pode-se supor que ‘A Cidade’, de 1972, seja o filme que fecha o ciclo do gênero. De minha parte, sempre que ouço falar de barroco, no teatro e no cinema, lembro-me do filme cultuado de Parrish. Ele foi assistente de John Ford e, no fim dos anos 1950, emendou dois grandes westerns, ‘Irmão Contra Irmão’ e ‘Terra Maravilhosa’. Robert Parrish! Jefferson Barros amava ‘Paris, Cidade das Ilusões’, com Stanley Baker e Jean Seberg, que considerava o mais nouvelle vague dos filmes que Jean-Luc Godard e François Truffaut não realizaram. Não dá – quando começo a viajar nas lembranças, não paro mais.