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Luiz Carlos Merten

01 Maio 2008 | 14h51

RECIFE – Legais as dicas do Mário Kawai e eu, se estivesse em São Paulo, trataria de ver todas, menos o ‘Medo e Delírio – é isso, não? – em Las Vegas’, do Terry Gilliam. É um diretor do qual não consigo gostar, nem em seus melhores filmes (o que não me parece exatamente o caso deste). Gilliam exagera no visual e eu, pelo menos, fiquei exausto só de ver o seu ‘Barão Munhhausen’. Foi um dos filmes que me fizeram bradar por Bresson, juro! Menos visual, menos, por favor! Quem foi mesmo que reclamou que eu conto os finais? Sinceramente, não é uma coisa que me preocupe muito, mas no jornal, mais do que no blog, eu tenho me policiado. Eu não sei que relação as pessoas têm com os filmes, mas o elemento surpresa com certeza me pega de forma diferente. Acreditem – já vi ‘Psicose’ trocentas vezes (outro dia, me perguntaram qual o filme que havia visto mais vezes na minha vida? Disse que tinha sido ‘Rocco’. Não foi – vi mais ‘Psicose’, entre cinema, TV, vídeo e DVD). Mas, enfim, apesar de ter visto o filme do Hitchcock tantas vezes eu fico de coração na mão em momentos-chaves e até me surpreendo pensando – ‘Vai ser agora, agora!’ E ainda tomo susto! No caso de ‘Um Beijo Roubado’, revi o filme e o beijo, propriamente dito, como se tivesse sido a primeira vez e tenho certeza de que não disse quando ele ocorre. Uma amiga me disse – ‘Pensei que seria… (ali), mas ele – o diretor Wong Kar-wai – me surpreendeu.’ Honestamente, embora respeite o ponto de vista dos outros – e até tente me policiar – não creio que seja uma cobrança de cinéfilo. Mas é o meu ponto de vista, reconheço. Já cheguei ao ponto de ir ver filme de suspense tendo perguntado para amigos o que ocorria. A surpresa vem por outras vias. Se fosse o ver pela primeira vez eu não teria tanto encantamento revendo tantos filmes que amo. Não estou jogando conversa fora, mas a verdade é que o Festival do Recife não está me dando muita chance de discutir os filmes que estão aqui. Amanhã, no meu texto do ‘Caderno 2’, dou uma primeira geral do evento que termina domingo, e ela não é muito elogiosa. É muito mais o registro de uma decepção. Tenho visto pouca coisa boa, ou que me motive a pensar o cinema, seja brasileiro ou não. Por isso mesmo, fui ver ontem à tarde nos cinemas ‘comerciais’ do Recife … Tã-tã-tã. ‘O Homem de Ferro’. No próximo post.