Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Fim de caso

Cultura

Luiz Carlos Merten

19 Outubro 2007 | 11h09

Dei uma olhada rápida nos comentários sobre os posts dedicados a Deborah Kerr. Alguns filmes que vocês me cobraram especialmente ‘Os Inocentes’ e ‘Movidos pelo Ódio’ (The Arrangement), eu posso não ter esquecido no blog, mas citei no texto que está na edição de hoje do Caderno 2. Mas houve um de que me esqueci completamente – e foi ‘Pelo Amor do Meu Amor’, a adaptação de ‘End of the Affair’, de Graham Greene, que também originou ‘Fim de Caso’, do Neil Jordan, com Julianne Moore no papel que Deborah havia feito. Dmytryk foi um dos fantasmas da minha vida. Cresci lendo Paulo Fontoura Gastal, no ‘Correio do Povo’ e na ‘Folha da Tarde’, em Porto alegre, dizer que ‘O Preço de Uma Vida’ (Give Us this Day), que Dmytryk realizou na Inglaterra, com Sam Wanamaker, ao fugir do macarthismo, era genial, mas sempre tive um sentimento ambivalente em relação ao diretor por causa de seu compartamento perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas do Senado dos EUA, presidido pelo senador McCarthy. Elia Kazan também dedurou, mas transformou o fato num ódio contra os EUA (e suas instituições) que alimentou sua obra e fez dele o grande cineasta que foi. Dmytryk, pelo contrário, sempre me pareceu mediocrizado, bradando por uma segunda chance. Ocorre que adoro dois westerns que ele fez, ‘A Lança Partida’, com Spencer Tracy – remake de ‘Sangue do Meu Sangue’, de Joseph L. Mankiewicz -, e o genial ‘Warlock’ (Minha Vontade É lei), com Henry Fonda, Anthony Quinn e Richard Widmark. Em plena polêmica sobre ‘O Aviador’, também revi na TV ‘Os Insaciáveis’ e acho que aquela biografia disfarçada do Howard Hughes, que Dmytryk fez com base no romance de Harold Robbins, dá de dez na versão de Scorsese. Comecei a falar sobre Deborah Kerr e cheguei a Dmytryk. Nunca vi ‘Pelo Amor do Meu Amor’. Confesso que agora fui eu que fiquei com vontade de assistir a este velho filme com a grande Deborah Kerr.