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Luiz Carlos Merten

05 Novembro 2007 | 16h17

Antes de virar o brucutu justiceiro da série ‘Desejo de Matar’, Charles Bronson foi um dos melhores coadjuvantes de Hollywood nos anos 50. Seus papéis nos filmes de Robert Aldrich e Sam Fuller, quando ainda era Charles Buchinski, esculpiram a lenda do ator de cara-de-pedra que roubava a cena dos astros. Ele é glorioso em ‘Sete Homens e Um Destino’, o western em que John Sturges transpôs para os EUA a trama de ‘Os Sete Samurais’, de Akira Kurosawa. Pela maneira como utiliza a música (de Elmer Bernstein) e constrói as espetaculares cenas de ação, tenho para mim que foi Sturges, um diretor de faroeste legítimos, quem inventou o spaghetti western. Sergio Corbucci e Sergio Leone viram o que ele havia feito e foram atrás, e o segundo também se baseou em Kurosawa (‘Yojimbo’) para fazer ‘Por Um Punhado de Dólares’, com Clint Eastwood na pele do Estranho sem Nome. Na seqüência de ‘Sete Homens’, Sturges chamou boa parte do elenco daquele filme (Bronson, Steve McQueen, James Coburn etc) para fazer outro espetacular filme de ação, no caso, de guerra – ‘Fugindo do Inferno’. O filme era co-estrelado por David McCallum. Durante a filmagem, Bronson e a mulher de McCallum, Jill Ireland, iniciaram um tórrido romance – e viveram juntos por quase 30 anos, até a morte dela de câncer, em 1990. Adorava Bronson como coadjuvante. Ele virou astro na Europa – com Clément (‘O Passageiro da Chuva’) e Leone (‘Era Uma Vez no Oeste’). Era bom demais contracenando com Marlène Jaubert, cuja personagem se chamava Mélancolie, ou com a harmônica no filme do Leone. Veio depois o encontro com Michael Winner, que terminou originando a série ‘Desejo de Matar’. Bem antes do Capitão Nascimento e sem as angústias existenciais do personagem de Wagner Moura no filme de José Padilha, Bronson já pegava em armas para matar, sumariamente. O público sempre o adorou. A crítica o transformou em saco-de-pencada. Eu confesso que Bronson teria continuado a ser meu ídolo se tivesse ficado sempre coadjuvante. ‘O Grande Búfalo Branco’, hoje no Telecine Cult, reencontra o Bronson dos westerns do começo da carreira. Suas cenas com Kim Novak têm uma tristeza que me comove.

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