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‘Filme Cultura’

Luiz Carlos Merten

04 Agosto 2010 | 15h17

Ainda não tive tempo de comentar o resgate que o MinC está fazendo de ‘Filme Cultura’. A revista surgiu nos anos 1960, em plena ditadura militar, e durou 48 números. A íntegra ressurge agora em fac-símile, numa coleção para escolas, bibliotecas etc. Não sei como particulares – cinéfilos – poderão adquiri-la, mas valerá a pena.  Na abertura, Gustavo Dahl lembra que grandes movimentos cinematográficos tiveram revistas por trás – cita ‘Bianco e Nero’ no caso do neo-realismo,. ‘Cahiers’ no da nouvelle vague, ‘Sight and Sound’ no do free cinema. ‘Filme Cultura’ foi a retarguarda teórica do Cinema Novo, mas logo num dos primeiros números, no primeiro número, há uma enquete com críticos sobre o significado da renovação em curso do cinema brasileiro e Moniz Vianna esculhamba dizendo que o Cinema Novo não é escola nem movimento e, novo por novo, toda cinematografia, a toda hora, se renova produzindo um cinema novo. Polêmicas à parte, folheando o primeiro dos cinco volumes, com os números de 1 a 12, encontrei dois belíssimos textos do próprio Moniz Vianna, um sobre William Wyler, que ele amava, e outro sobre filmes de gângsteres. O segundo poderia ser reeditado a propósito do atual ciclo no CCSP e na Galeria Olido e até sugiro que o curador Célio Franceschet o faça, pois Moniz Vianna reitera a tese de que ambos os personagens, os gângsteres e os caubóis, nasceram gêmeos no invento dos irmãos Lumière. Ele faz a gênese do gangsterismo em Chicago e diz porque foi nesta cidade, não em outra,  traçando paralelos entre famosos gângsteres e pistoleiros. Como eu disse, folheei os 12 primeiros exemplares, no primeiro volume, e li dois textos apenas, mas me lembnrava de outros tantos – um de Sergio Augusto sobre o cinema verdade, outro mapeando a trajetória de Walter Hugo Khouri, tendo como gancho ‘Corpo Ardente’, mais um ensaio sobre a fotografia no cinema, de B.J. Duarte. Confesso que me emocionou recuperar aquele material, como um tempo perdido que estivesse reencontrando, por meio de madeleines tão particulares. Preciso olhar aquele material com calma, reavaliar, mas concordo que o resgate da revista é também o do pensamento de uma época.