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Festival do Rio 8/O que me falta

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2016 | 10h55

RIO – Gosto muito de Natimorto, gosto menos de Trinta, mas acho o filme respeitável (e o Matheus Nachtergaele é aquela coisa, tomado pelo personagem, como sempre), e por isso mesmo é com certa tristeza que tenho de admitir que não embarquei na viagem de O Filho Eterno, que Paulo Machline adaptou (transcriou?) do livro de Cristóvão Tezza. Acho bacana a utilização que ele faz do futebol, Marcos Veras é ótimo ator de drama – e isso eu já sabia de seu monólogo Acorda para Cuspir, com texto de Eric Bogosian -, mas o personagem me bateu nos nervos, e a música mais ainda. Aliás, Antônio Pinto, que é um compositor a quem admiro muito, foi outro que me exauriu em O Pequeno Segredo. Menos, por favor. A gente já percebeu o tipo de pai, de homem que o ‘Roberto’ é e o filme do Machline fica reiterando, mesmo sendo curto (apenas 82 min). Roberto é pai do Cláudio e surta com as exigências desse filho com síndrome de Down. Tenta se livrar dele, sonha – e espera – que o filho morra logo, até perceber quanto ele lhe é necessário. Aquilo que Domingos Montagner, pai de filhos menores, me disse, quando comentei que os meninos precisavam dele. “Eu é que preciso” Digo muito que gosto de ver filmes que não são necessariamente bons. Esse, eu não gostei de ver, mesmo sabendo que é importante e que, no limite, seja necessário que as pessoas vejam (e tomara que gostem mais que eu). Também não embarquei no Fala Comigo, de Felipe Scholl, mas tem um aspecto bem interessante ali. Karine Teles é paciente da psicanalista Denise Fraga e se envolve com o filho dela. De perto, ninguém é normal. Denise reage como mãe, fica repetindo que Karine é ‘instável’, mas ninguém é mais instável, no filme, que a psicanalista. Tem um diálogo, na verdade, um monólogo do marido, Emilio De Mello, sobre o silêncio naquela casa. Dos longas de ficção da Première Brasil, só não havia falado sobre esses dois. Ainda me falta um terceiro, Mulher do Pai, sobre o qual tenho ouvido maravilhas, e vou ver hoje, já que quinta fui à sessão de Lavoura Arcaica, que Luiz Fernando Carvalho bem podia levar para São Paulo, para festejar os 15 anos do seu clássico no Cinesesc, que tem não um, mas dois (dois!) projetores de 35 mm em perfeitas condições de funcionamento. Não vai ser preciso fazer nada. Só colocar o filme e rodar.Enfim, perdi a ficção de Cristiane Oliveira, que pretendo recuperar, e avalio as possibilidades. Se vir à tarde, perco um filme que quero muito ver. À noite, perco outro, mas esse ainda posso recuperar amanhã. Um festival sempre impõe escolhas. Mas tenho de ver A Mulher do Pai para não ser atropelado amanhã à noite – domingo, 16 -, na festa de entrega do Redentor. Se o filme for tão bom quanto me dizem, deve ganhar alguma coisa. Por enquanto, meus favoritos são Era o Hotel Cambridge, de Lili Caffé, e Redemoinho, de José Luiz Villamarim. E, como documentário, Divinas Divas, da Leandra Leal.