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Festival do Rio 5/Amor e ódio

Luiz Carlos Merten

09 Outubro 2016 | 12h13

RIO – Tem havido uma interessante discussão de gênero na Première Brasil. As amigas (mulheres) de Vermelho Russo, as ‘amigas’ (bichas que só se tratam no feminino) de Waiting for B., de Beyoncé. Quero falar sobre esses filmes, mas vou esperar para ver, agora à tarde, as divinas divas de Leandra Leal, sobre as icônicas integrantes da primeira geração de artistas travestis e transgêneros do Brasil. Antes, quero falar da Globo. Lembro-me sempre de Jean-Luc Godard, perguntando-se como podia amar John Wayne quando ele abria os braços para acolher Natalie Wood no desfecho de Rastros de Ódio, a obra-prima de John Ford, se o odiava tanto quando apoiava a política mais à direita do Partido Republicano dos EUA, representada por Barry Goldwater na eleição de 1964? Às vezes me pego pensando o que pensaria o Duke de Donald Trump? O apoiaria? Ou até para John Wayne Mr. Trump seria demais? Já vi muito o logo da Globo Filmes ser vaiado no Festival do Rio. Em Brasília, ao ‘Fora, Temer’, somaram-se muitos gritos de ‘Globo golpista’. Entendo, apoio, mas aí, como no passado, quando abrigou Eduardo Coutinho, João Batista de Andrade, Hermano Penna e outros no Globo Repórter, dando-lhes asilo e permitindo que seguissem trabalhando, a Globo segue apoiando e permitindo a expressão de artistas que admiro. Amor e ódio. Agora mesmo, nas vinhetas que abrem as sessões do Festival do Rio, tem uma da Globo Filmes. São cenas de grandes filmes comentadas por diversos diretores. Daniel Filho e Os Cafajestes, de Ruy Guerra – com a cena da nudez de Norma Bengell na praia -, Heitor Dhalia e Madame Satã, de Karim Ainouz, Júlia Rezende e Central do Brasil, de Walter Salles, Jorge Furtado e Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira etc. Todo dia me emociono com essas imagens definidoras da nossa identidade e com as falas que as sustentam. O que Jorge diz é lindo! E, para fechar, ‘The Voice’. Fernanda Montenegro – ‘Uma homenagem da Globo Filmes aos artistas brasileiros.’ Não sei quem criou as vinhetas, quem teve a ideia. Só sei que todo dia, para mim, é sempre um espanto e uma revelação.