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Festival do Rio (4)/Sem cultura, somos bichos

Luiz Carlos Merten

09 Outubro 2017 | 12h26

RIO – Tive hoje um encontro pela manhã com jovens críticos, numa oficina promovida pelo Talent Campus, da Berlinale. Gostei da conversa, da troca. Espero que tenham gostado também. Sou tão idiossincrático. Surpreendo os outros e a mim mesmo com certas afirmações. Por exemplo – perguntei que filme todo mundo tinha visto junto? Foi o do Marco Dutra e da Juliana Rojas. Comecei a falar sobre o filme lembrando o tema do embate entre instinto e cultura repressora de O Bebê de Rosemary – e um dos garotos me mostrou os pôsteres de As Boas Maneiras e do filme de Roman Polanski (o pôster polonês). Têm o mesmo conceito, muito legal. A questão é que, falando de As Boas Maneiras, me empolguei e terminei dando-me conta de que talvez tenha gostado muito mais da segunda parte, a experiência de maternidade da personagem de Isabel Zuaa e o desfecho dela com o filho, plano belíssimo. Ou seja contradigo-me com o post anterior, em que dizia haver gostado mais da primeira parte. Só sei que o filme do Marco e da Juliana cresceu. Vi ontem à noite O Nome da Morte, de Henrique Goldman, baseado na história real de um pistoleiro que admitiu haver matado quase 400 pessoas. Marcos Pigossi é quem faz o papel e gostei da fala dele dizendo que, na preparação, o que aprendeu foi que a ignorância e a falta de cultura transformam as pessoas em bichos, e que a gente pensasse nisso nesse momento de retrocesso que o País vive. Boa, Marcos. Já o filme… Não sabia direito o que ia ver, mas, de qualquer maneira, esperava mais, pelo retrospecto do Henrique – Jean Charles – e de seu roteirista, George Moura. O personagem é preso, lá pelas tantas. Depois, é solto, mas, de alguma forma, acho que o filme derrapa depois da prisão. Fica esquisito, como dramaturgia. Não sei se é por fidelidade, para servir à realidade, mas a vida é uma coisa, cinema é outra e, para mim, não funcionou muito o que ocorre depois.