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Festival do Rio (3)/O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

09 Outubro 2017 | 08h56

RIO – Não gostei muito de Trabalhar Cansa nem de Quando Eu Era Vivo, muito menos de Sinfonia da Necrópole, mas vi belas qualidades em O Silêncio do Céu e agora em As Boas Maneiras, a nova parceria de Marco Dutra com Juliana Rojas. Bem interessante. Duas mulheres, patroa e empregada, uma branca outra negra. Noites de lua cheia, o sexo entre mulheres, o afeto. Ecos de O Bebê de Rosemary. O conflito entre instinto e cultura repressora. Que bebê é esse? O filme é muito bem feito, claramente divide-se em duas partes, e na segunda fica mais explícito. Gostei mais da primeira metade, adorei as atrizes, Isabel Zuaa, Marejorie Estiano e Cida Moreira, num papel menor. E veio, também na Première Brasil, Aos Teus Olhos. Essa Carolina Jabor não é mole. Boa Sorte já abordava temas difíceis e agora mais ainda. Uma mãe acusa instrutor de natação, pelas redes sociais, de abusar do filho dela. Daniel de Oliveira é quem faz o papel. Ecos de A Caça, de Thomas Vinterberg, mas Daniel não reage como Mads Mikkelsen. Destrói-se com a desconfiança do colega, da diretora. Só a namorada é incondicional. Gostei, e sinceramente não sei como se termina um filme desse, mas me faltou o terceiro ato. E…? Fiquei esperando mais alguma coisa. O garoto é o mistério do filme. O que, realmente, ele disse para a mãe? Acusando o instrutor, ela também encurrala o marido, de quem está separada. Força-o a agir. Como filme sobre o perigo, e a força, das redes sociais, Aos Teus Olhos impressiona. Assusta, até. O horror, o horror. O curioso é que o filme chega ao horror pelo realismo e o de Marco Dutra e Juliana Rojas pelo fantástico. Gostei, repito, e Daniel é f… Mas faltou alguma coisa para ser o filme da Carol ser ainda melhor.