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Festival do Rio (3)

Luiz Carlos Merten

30 Setembro 2014 | 10h05

RIO – Minha vida tem sido um tormento nos últimos dias. Estou indo ver o Trash, de Stephen Daldry, numa cabine de imprensa, e emendo cpom uma ida ao médico, para ver se melhoro. Nesse momento estou numa lan çlanm house no Leme, perto do hotel, transpirando feito louco, o que aumenta ainda mais minha chance de desidratação (somado ao intestino que não regulou). Mas tenho feito minhas matérias, entrevisatas. Tenho visto filmes. Rodrigo Fonseca tinha me dito que havia visto o melhor filme do ano, Garota Exemplar, do David Fincher, que estreia quinta-feira. Concordo com ele. David Fincher é poderoso. Quem me segue no jornal sabe que gostei de Deserto Azul, de Éder Santos, e de Obra, de Gregório Graziosi, que mostra, em preto e branco, uma São Paulo como nunca se viu. Estava louco para ver Sangue Azul ontem à noite, mas vou ter de recuperar o filme de Lírio Ferreira. Fui ao tapete vermelho de O Mistério da Felicidade, de Daniel Burman, já que era minha chance de falar com o diretor, após a sessão. Burman já voltou agora de manhã para Buenos Aires. Não é um de seus melhores filmes, mas é bem simpático e me diverti com a história do cara que viveu a vida toda uma relação perfeita de amizade com o sócio, e ele desaparece. O protagonista, a mulher do desaparecido, todos o procuram. Aonde foi? Partiu em busca de um sonho e a mulher e o amigo começam a se descobrir, desenha-se uma (outra) ligação, uma possibilidade… Achei Daniel Burman mais jovem. Perguntei-lhe seu segredo? Ele me disse que o fato detere-se tornado pai tem sido um motor de renovação para ele. Lembrou seu primeiro Festival do Rio. Houve um problema de legenda, e ele, que se irritava com muito mais facilidade naquela época, jurou que nunca mais voltaria ao Rio. Mas tem vindo ao festival, virou um regular e a Total é parceira na produção de El Misterio de La Felicidad. Burman escreve para os atores e diz que seu maior prazer, em qualquer filme, é sempre a escrita. Guillermo Francella, o anão de Coração de Leão, faz o solitário Santiago e o filme, no começo, é meio estranho. Tamanha devoção ao amigo… Burman rejeita qualquer subtexto gay e faz com que Santiago evolua para se conscientizar da própria insatisfação. O que termina por fazer esse homem feliz (de novo) é a companhia de Laura, a mulher do sócio, e Burman escreveu o papel para Ines Estévez, uma estrela argentina que há oito anos se isolara, vivendo meio reclusa. Ela topou, adorou a experi~Encia e está de volta, com novos filmes e o projeto de uma peça. O que é a felicidade? “Não tenho a pretensão de ter uma resposta, mas acho que o desejpo de felicidade é intrínseco ao ser humano”, resume o diretor. Diante da tela branca, ao apresentar o filme, ele disse – “Nossa vida é uma tragédias, todos morremos no final, e por isso acho que nosso maior desafio, como artistas, é encher esse vazio (da tela) de esperança.”  Burmamn prometeu voltar para a esttreia, em novembro. Na Argentina, O Mistério da Felicidade virou o maior sucesso de público entre seus dez filmes, com 600 mil espectadores. É curioso. Embora debilitado, estou feliz. Minha filha chega hoje, estou fazendo boas entrevistas (como a de ontem, com Guillermo Arriaga). Isso tem me permitido superar certos problemas. Meu post sobre o filme de Daniel Aragão fez com que o diretor e sua atriz viessem para cima de mim, e ele, para me agredir, terminou me chamando de aleijado, o que, bem, sou, mas nunca havia sido usado como argumento para me atingir. Fazer o quê? Há sempre uma primeira vez, e ele pode até ter desabafado, mas o filme não vai melhorar. O que me leva a crer, não propriamente devolvendo, que o filme também é. Mas sou honesto – encontrei ontem uma amiga que gostou do filme do Aragão. Como diz o outro Daniel, esperança é tudo.