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Festival do Rio 1/Começou!

Luiz Carlos Merten

07 Outubro 2016 | 02h02

RIO – RIO – Cá estou. Mais um Festival do Rio, menos um, como diria Mário Peixoto.F..-se o nosso pensador transcendental. É a 18.ª edição do Festival do Rio. ‘Chegamos à nossa maioridade’, me abraçou e disse Wilma Lustosa. Lá fui eu para a Cidade das Artes, na Barra, no fim do mundo. Gastei um dinheirão para voltar de táxi e jantar no Lamas. Não me sinto em casa, no Rio, sem bater ponto no Lamas. Antes de encarar o filme de abertura, tenho de dizer que encontrei Rodrigo Fonseca, que me atormenta cobrando o resultado do júri em Brasília. Rodrigo gostaria que tivéssemos premiado Deserto, de Guilherme Weber, e eu espero não estar sendo indiscreto – mas se estiver, paciência – ao dizer que, com todas as diferenças que possamos ter tido, nós, o júri, nunca aventamos sequer a possibilidade de premiar Deserto e muito menos em atribuir o prêmio especial a Lima Duarte, como Rodrigo sonhava. Luiz Zanin e Maria do Rosário são outros que gostariam que tivéssemos premiado Martírio, o documentário de Vincent Carelli sobre os guaranis-cayowás. Seria, e até imagino que defensável, um prêmio pela militância e aí desanimo porque penso que a dupla gosta de Botão de Pérola e Mar em Chamas pelos ‘temas’ e não pelo grande cinema nos filmes de Patricio Guzmán e Gianfranco Rosi. Ai, a crítica… A série ‘fazendo inimigos’ continua. Na manhã pós-premiação, Joaquim, do Recife, estava no lobby do hotel. Ele me disse – ‘Cida está detonando o júri, para quem quiser ouvir.’ Cida Moreira estava sentada ali do lado. Até brinquei – ‘Vou lá me solidarizar, porque também não gostei do resultado.” Fui voto vencido. É o que dá, a tal democracia. Mas Cida, imagino, e talvez seja injusto com ela, devia estar defendendo o filme do ‘Gui’, no qual é atriz. Sorry, amiga, mas nem f… Queria era ter premiado 20 Anos, de Alice de Andrade, o melhor filme da seleção, dissociando filme e direção para dar o Candango de mise-en-scène para O Rifle. Enfim, divago. Acabo de ver, na abertura do Rio, A Chegada. Denis Villeneuve não pôde vir e gravou uma saudação ao festival (e aos cariocas). Disse que há muito queria fazer uma ficção científica. O problema era qual. Apaixonou-se por uma história curta, que transformou num longa. Amy Adams é uma linguista chamada a intervir com o ‘cientista’ Jeremy Renner quando naves alienígenas (12!) aterrissam em diferentes pontos da Terra. O que querem os invasores do espaço? Os falcões do Exército norte-americano, os chineses, os russos, todos querem guerra. Amy defende o diálogo. Inicia todo um processo de comunicação. De cara, nas primeiras cenas, sabemos que ela perdeu uma filha para uma doença rara. O que isso tem a ver com os ETs? Nada – ou tudo. O tempo vira uma experiência relativa. Haviam me falado maravilhas de A Chegada. Minha primeira impressão foi de desapontamento. Mas A Chegada ficou comigo. Não paro de pensar no filme. No jantar, de volta ao hotel. Já estava quase dormindo… Levantei-me para acrescentar o post. Quantos filmes ficam assim com a gente? Esse Villeneuve não é fácil. Sicário já era maravilhoso, e esplendidamente dirigido. O importante é que o festival começou. E que venha a Première Brasil!