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Festival do Rio 13/O júri, sempre o júri!

Luiz Carlos Merten

17 Outubro 2016 | 00h16

RIO – Estou de volta ao hotel depois da longuíssima cerimônia de premiação do Festival do Rio (e de jantar na Trattoria, claro). É uma maravilha voltar a ser jornalista, e não jurado, como em Brasília. Pau no júri – e não é deste carnaval. O Festival do Rio é maravilhoso, mas o júri tem uma tradição de premiações estrambólicas, com as quais raramente concordo. Nosso júri, lá de Brasília, em comparação, foi maravilhoso. Gostando-se ou não, tinha um conceito. O do Rio foi caótico, aleatório. Digamos que pode ter pesado o fato de eles terem dado dois prêmios importantes – dois! Melhor atriz, Karine Teles, e melhor filme -, justamente para Fala Comigo, que não me disse grande coisa. E o júri dividiu prêmios, o que acho o fim. Júlio Andrade dividiu o Redentor de melhor ator com Nelson Xavier. E Júlio ainda ganhou seu meio prêmio por dois filmes! Um terço de prêmio dá quanto – o,3333 periódica? Por mais que goste dele em Redemoinho, de José Luiz Villamarim, eu teria premiado Júlio por Sob Pressão, de Andrucha Waddington. De Os Fuzis a Rainha Diaba e Vai Trabalhar, Vagabundo – a antológica partida de sinuca de Russo e Babalu -, Nelson Xavier faz parte do meu imaginário, mas estou pasmo que tenha sido premiado por Comeback, de Érico Rassi, e o ‘retorno’ é o de um velho pistoleiro de aluguel. Prefiro o Almirante de A Despedida, de Marcelo Galvão. Mas, até aí, tudo bem. Já vi filmes e atores dividirem prêmio, mas dividir prêmio de fotografia – foi um recorde! Parabéns! Espero não estar repetindo o que disse meu colega Luiz Zanin sobre os prêmios de Brasília – o público premiou melhor que o júri oficial, outorgando seus prêmios a Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé, como melhor ficção, e a Divinas Divas, de Leandra Leal, como melhor documentário. Não creio, e agora é o crítico falando, que Martírio, de Vincent Carelli, fosse o melhor longa de Brasília. Hotel Cambridge, foi, sim, o melhor longa da competição do Rio, o mais inovador, mas o júri não teve a grandeza de perceber. Nem a importância estética nem a política. No documentário, foi a mesma coisa. O júri dividiu-se entre A Luta do Século e Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, que são bacanas, mas Divinas Divas é o filme da hora. Na série de vinhetas da Globo Filmes, falando de Madame Satã, Heitor Dhalia diz que o filme de Karim Ainouz antecipa questões que estão aí. Divinas Divas as aprofunda, e é um escândalo de bom, provocativo. O júri promoveu um verdadeiro loteamento – melhor filme para Fala Comigo, de Felipe Scholl, melhor direção para Cristiane Oliveira, por Mulher do Pai (não tem A, como venho colocando). Foi inacreditável – 13 prêmios loteados entre 11 filmes, era só o que se falava na saída do Teatro do BNDES. É a melhor maneira de querer ficar bem com todo mundo e não convencer ninguém.