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Festival do Rio 12/Olhares femininos

Luiz Carlos Merten

16 Outubro 2016 | 11h11

RIO – Faltava-me um filme da mostra competitiva da Première Brasil, que vi ontem à tarde. Gostei nastante de A Mulher do Pai, que assinala a estreia no longa de uma talentosa realizadora de curtas, Christiane Oliveira. Uma história de pai e filha, com elementos incestuosos. Comecei a ficar apreensivo, mas o filme é muito bem-feito e inteligente. Christiane porto-alegrense, como eu. O filme é uma co-produção brasileiro/uruguaia. Como O Rifle, de Davi Pretto, que gostaria de haver premiado em Brasília, estava reconhecendo a paisagem. Dom Pedrito, no Rio Grande do Sul. Terra da minha ex, Doris Bittencourt, mãe da Lúcia. Os campos do Poncho Verde. Encontrei depois, no Odeon, a produtora Aleteia Selonik. Até perguntei, meio brincando, se Dom Pedrito abriu algum edital, para estar sediando tantos (e tão bons) filmes. Foi a paisagem que atraiu Davi Pretto, Christiane Oliveira, que é ‘quase’ homônima da atriz – Cristiana Oliveira. Paras completar, A Mulher do Pai passou num duplo com o curta O Homem da Raia do Canto, de Cibele Santa Cruz, que amei. Cadu Fávero, o ator de Pulsões, belo texto de meu amigo Dib que Kika Freire transformou num espetáculo irretocável. Há algo de François Truffaut, o homem que amava as mulheres, nessa história. Mas é um olhar feminino sobre o olhar masculino, de um homem sobre as mulheres. O que atrai as pessoas? De que forma o acaso interfere nas escolhas? Cadu frequenta uma escola de natação. Parece que sua desejada história de amor vai rolar por um lado, mas vai para outro – como no longa de Christiane Oliveira. Olhares femininos. No longa, sobre uma garota. Não me lembro se conheço a Cibele. Sei que é referência como produtora de elenco. Encontrou o elenco perfeito para ela. Não sei quem é a atriz que faz a professora. Só sei que eu, Merten, vi nela alguma coisa da Madame Tabard de Baisers Volés/Beijos Proibidos. Assim como tenho meus longas no festival, tenho meus curtas – Lápis Cor de Pele e O Homem da Raia do Canto. E o Cadu é bom demais. Já era em Pulsões.