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Festival do Rio (11)/Todos os Paulos num só, e ao som de Gabriel Fauré

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2017 | 10h53

RIO – Tive ontem um sábado de belas emoções cinematográficas. Havia perdido o novo documentário de Evaldo Mocarzel, Até o Próximo Domingo, sobre o encenador Nelson Baskerville. A verdadeira história de Luiz Antônio Gabriela, a verdadeira motivação. Não sou um grande admirador da montagem, que ganhou todos os prêmios do teatro, anos atrás. Não sei se me preparou a Carmem, que vi recentemente, e tinha suas qualidades. Evaldo, meu ex-editor no Caderno 2, faz um cinema conceitualmente interessante, e investigativo da realidade. Raramente é, ou nunca é brilhante, mas dessa vez algo se passa e é um perfume de melodrama que tem tudo a ver com essa história de família, e de irmãos. Gostei. Vi também Todos os Paulos do Mundo, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo De Oliveira, sobre Paulo José. Estava o Paulo, aplaudido de pé por um Odeon que, estando cheio, não estava lotado para lhe dar a ovação que merecia. Na plateia, Domingos de Oliveira, o homem que ‘inventou’ Paulo José – em Todas as Mulheres do Mundo. O envelhecer dos mitos, a doença. E Gabriel Fauré. Tã, tã, tarã, lalá lalará, lalá… As imagens de uma vida, os filmes que nos expressam, que definem a nossa identidade. O cinema é, não me canso de dizer, uma coisa maravilhosa. Os amigos que a gente faz no cinema. João Jardim, Murilo Salles. Gosto de gente que não teme externar suas emoções, como eu. Qualquer crítico seria blasé. João divertiu-se com o Jean-Luc Godard clownesco de Michel Hazanavicius, mais preocupado por estar sendo traído pela mulher que com o Maio de 68. Godard, que perde os óculos, e fica sem rumo no meio da revolução. E Murillo, os olhos brilhando de espanto e admiração, admirou a Jeannette de Bruno Dumont. Reservo para o final minha cereja do bolo de ontem. O Woody Allen. Aguardem o próximo post.