As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Festival do Rio 11/Danamos!

Luiz Carlos Merten

16 Outubro 2016 | 10h48

RIO – Fomos jantar no Lamas, Dib Carneiro e eu, e conversamos sobre o Festival do Rio deste ano que amei, por filmes como Pitanga (fora de concurso), Era o Hotel Cambridge, Redemoinho, Divinas Divas, mas também Indignação e Uma Paixão Tranquila. Meus top six. Vai mais um. De certa forma, a noite de ontem foi a mais bela do 18.º Festival do Rio, porque emendamos Pitanga com O Ilustre Cidadão. Fiquei em êxtase. Sinto muito, realmente, por David Schurmann. Mesmo não gostando (muito) de O Pequeno Segredo, reconheço o esforço, alguns valores. Mas não é frequente que a Academia selecione muitos filmes de uma mesma região do mundo, na categoria de produção em língua estrangeira. Se houver um só latino, fodeu. A lista de pré-indicados (pelos países) tem filmes do Chile, da Colômbia etc. Mesmo sem ter visto todos, creio que só a mais rematada loucura tira a indicação de El Ciudadano Ilustre, dos argentinos Gastón Druprat e Mariano Cohn. Que que é esse filme? Um escritor argentino ganha o Nobel de literatura. Deixa de escrever, isola-se, passa a recusar homenagens. Mas aceita uma da cidade em que nasceu. Reencontra o próprio passado. Muitas situações mal-resolvidas. Amargura, indignação, ressentimento. E violência. Pode até ser que O Cidadão Ilustre não ganhe nem seja indicado – o Oscar, afinal, é uma caixinha de surpresa -, mas Dib passou todo o jantar me convencendo da excelência e engenhosidade do roteiro e de que será questão de tempo, porque Hollywood vai fazer um remake, com atores em língua inglesa. Oscar Martinez, que faz o papel, foi melhor ator em Veneza. Carajo, como dizem os argentinos. O cara é bom demais!