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Festival do Rio! (1)

Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2014 | 10h58

RIO – Creio que nunca fiquei tanto tempo sem postar, mas a verdade é que tenho feito tantos textos para o Portal, além dos que produzo para o jornal – mais cabines, entrevistas – que não tem me sobrado muito mtempo. Cá estou no Rio, desde quarta, para a abertura do festival. Vou ficar durante toda a duração, mas estou pensando em fazer um bate/volta em São Paulo no dia da eleição. Minha candidata vai precisar do meu voto. Para complicar, não creio que tenha sido problema com a comida, talvez estresse, sei lá, mas desde a madrugada de sdexta venho passando muito mal. Ânsia de vômito, diarreia. A vida virou um inferno. Fiz ontem meu primeiro debate da Première Brasil – so0bre À Queima-Roupa, de Theresa Jeroussoun, e não sei como consegui sobreviver. Queria, há dias, acrescentar um post sobre o filme de Antoine Fuqua, O Protetor, cuja ilha de edição visitei no estúdio da Columbia, durante a junkett de Homem Aranha 2. Na ocasião, lembrei-o de uma conversa sobre Eisnstein – a batalha do gelo – que tivemos durante outra junkett, a de Arthur. Fuqua havia mostrado duas cenas – a do diálogo entre Denzel e a prostituta russa no bar e aquela em que ele invade o covil dos mafiosos russos faz uma proposta pela garota e, face à recusa do chefe do bando, provoca uma chacina. Sei que tem gente que não gosta do filme e, aliás, nem o leva em consideração, mas eu gosto e ouso dizer que, se Eisenstein aprimorou sua teoria da montagem numa obra de propaganda, como é O Encouraçado Potemkin, Fuqua recupera essa teoria no cinemão, ew num filme que tem a ver com russos, olhem só. Há um momento em que Denzel/O Protetor e o russo que veio punir os responsáveis, ou o responsável pela chacina, se encontram num restaurante. Dizem-se meias verdades, avaliam-se. Fuqua não esclarece nada. Cria um conflito quase abstrato – não há explicação para o fato de Denzel ter desencadeado uma guerra por uma garota que, no fundo, não singifica nada para ele -, mas que toprna concreto por meio de uma direção de cena forte. E osa atores, meu Deus! A cena de Denzel e Melissa Leo, aquela mulher não existe. Meryl Streep precisa do papel – ela não é nada em O Doador de Memórias -, Melissa é grande em qualquer papel. Chega. Além de O Sal da Terra, de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders, sobre o grande fotógrafo Sebastião Salgado, pai do primeiro, vi o documentário da Teresa e duas ficções na mostra competitiva da Première Brasil. O Fim e os Meios não é um grande Murilo Salles, mas tem seus momentos, e Prometo Que Um Dia Vou Deixar Essa Cidade (é isto?), de Daniel Aragão, de pareceu o ó. O aspecto mais interessante de ambos os film,es deixo para Maria Rosário Caetano, quando os vir. A representação da mulher no universo da política, do poder e do dinheiro. Cíntia Rosa vira amante do político de quem seu marido é marqueteiro no filme de Murilo Salles. Humilha-se e, embora ambiciosa na carreira de jornalista, não se importaria de ser objeto sexual para ele (até porque o poder é afrodisíaco e ela goza mais com o cara que com o marido). A atriz de Prometo, que não conheço, mas cuja presença no Lagoon provocou sensação – deve ser alguma celebridade local; fui procurar na internet e, sem preconceito algum, a lista de caras com quem ficou (e eu também não conheço) é maior que a de suas interpretações -, é a filha maluquete de um político cuja campanha ameaça com seu comportamento. É outra que sofre de desvario sexual, e numa cena salta no borracheiro que vai consertar seu carro. Achei meio psicanálise de bolso – rola uma Electra com papai -, mas o filme não me convenceu, sorry.