As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Festival de Gramado (6)/’Terrores’ (no plural) infantis

Luiz Carlos Merten

21 Agosto 2017 | 18h08

GRAMADO – Vamos às correções do dia, mas antes uma ‘tergiversação’. Às vezes tenho a impressão de que não erro – olhem a presunção – , mas cometo atos falhos para poder voltar a certos temas. No caso do curta O Espírito do Bosque, que está aqui na competição de Gramado, consegui cometer não um, mas dois erros. Chamei de espírito da ‘floresta’ e grafei errada a diretora. O certo é Carla Saavedra Brychcy, não Brychy. Feita a correção, quero dizer que, no outro dia, num debate aqui em Gramado, disse que tenho dificuldade para entrar no cinema de gênero (de terror) praticado no Brasil. É que talvez, não sei, nossa vocação no fundo pode ser outra, muito mais ligada ao velho ‘terrir’ de Ivan Cardoso, encravada na tradição paródica da chanchada. A verdade é que esse terror soft, infantil – muito mais poético -, de filmes como o da Carla ou Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira, que vi ontem – e debatemos hoje pela manhã – tem me encantado. O garoto que sofre bullyng na escola – médico de monstro? – é reificado pela irmã, que lhe põe de volta a casquete com a cruz da saúde na cabeça. Achei de uma beleza de cortar o fôlego. Pequenos grandes filmes. Não – grandes pequenos filmes. Carlos Eduardo Lourenço Jorge, que media os debates, falou hoje numa vertente ‘spielbergiana’, e eu entendi o que ele quis dizer. Um terror muito mais ligado ao maravilhoso, à transcendência dos medos infantis. No filme do Gustavo, as imagens do Frankenstein de James Whale são deslumbrantes. Me fizeram lembrar de O Espírito da Colmeia, de Victor Erice, um dos filmes de minha vida, e O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton. O que quero dizer é que estou adorando esse novo cinema de gênero.