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Festival de Gramado (4)/Noite de emoção

Luiz Carlos Merten

21 Agosto 2017 | 10h26

GRAMADO – Vivi ontem à noite a emoção de ser homenageado pelo 45.º Festival do Cinema Brasileiro e Latino. Haviam me dito que subiria ao palco para receber a placa comemorativa, mas sem discurso. Houve discurso, improvisado, e não é fácil improvisar num palco como aquele. Um espaço sagrado do cinema gaúcho e brasileiro, no qual, ao longo dessas mais de quatro décadas, grandes artistas – guerreiros e guerreiras – deixaram sua marca, afirmando nossa identidade e protestando contra o arbítrio, a canalhice e o que mais que seja. Não adiantaria gritar ‘Fora, Temer!’, porque o que o sustenta é esse Centrão fisiológico e isso sem falarmos do nosso ‘mercado da notícia’. Enfim, foi forte. Espero ter-me saído bem. As fotos, caso queiram ver, estão no site do festival. Prosseguindo, preciso fazer uma correção. Ao falar sobre O Matador, disse que Marcelo Galvão ganhou os Kikitos de filme e direção, aqui em Gramado, por Colegas. Não foi – por Colegas, ele venceu melhor filme, mas seu prêmio de direção veio por A Despedida. Tivemos ontem dois curtas – o simpático Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira, com um menino encantador – e do qual participa Nábia Vilela, sobrinha do Gabriel – e A Gis, de Thiago Carvalhaes, sobre uma transexual brasileira que foi assassinada em Portugal, em 2006. Muito bom. E veio As Duas Irenes, de Fábio Meira. Por mais que goste de Como Nossos Pais, é o melhor brasileiro, até agora. Após o discurso feminista de Laís Bodanzky, o retorno a uma família mais tradicional (e a uma sociedade mais hierarquizada pelo machismo). Seu Tonico e suas duas mulheres. A matriz e a filial. Duas filhas, as duas Irenes, que se tornam cúmplices e levam o filme ao seu belíssimo desfecho, que vou dizer qual é, mas talvez seja uma gênese do feminismo de Como Nossos Pais. Os filmes dialogam em Gramado. É o que devem fazer, quando existe curadoria, e é boa.