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Festival de Gramado (15)/A pele do verão

Luiz Carlos Merten

26 Agosto 2017 | 10h22

GRAMADO – E, no último dia, da Argentina, veio o melhor filme – para mim. Achei que seria o peruano, La Ultima Tarde, e que o festival já havia se encerrado na noite de quinta-feira, depois daquele plano sequência e do casamento que Joel Calero celebra entre política e intimismo. Mas ainda veio Pinamar. Dois irmãos – jovens – viajam para uma praia invernal. A mãe morreu e eles vão lançar suas cinzas ao mar. Vão vender a casa. Encontram essa chica. São a pele do verão, referência minha a um velho Torre Nilsson, com Graciela Borges e Alfredo Alcón. Piel de Verano não era um grande Torre Nilsson, mas é um filme que nunca esqueci. Era muito jovem, aquela deusa e aquele homem morrendo. A praia de Punta Del Este. Rimini no inverno. Valerio Zurlini mais que Federico Fellini. Alain Delon, A Última Noite de Tranquilidade. Pinamar. Federico Godfrid é o diretor. Sobre o quê, mesmo, é seu filme? Tudo, nada. Por mim, Pinamar levava todos os prêmios, menos melhor ator e atriz, que ninguém tira do Calero, e não que o trio de jovens não seja bom. O quarteto, aliás. Além dos três, há um menino. Numa cena, um irmão quer colocar uma gravação, uma velha fita cassete. O outro briga, não quer. Mas o menino fica insistindo. ‘Vou tocar…’ E estende o dedo, recolhe a mão. Aquilo é de uma beleza que me paralisou. O que é o cinema? Para mim, é uma redescoberta permanente. Não enquadro nenhum filme no que acredito que deva ser (o cinema). Prefiro me surpreender, sempre.