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Luiz Carlos Merten

11 Dezembro 2007 | 09h55

Tive ontem um dia agitado, com passagens pelo laboratório, para fazer alguns exames de saúde, e depois um monte de entrevistas que me tomaram a tarde. Falei com a turma toda de ‘Meu Nome não É Johnny’ (o diretor Mauro Lima, Selton Mello, Cléo Pires, Júlia Lemmertz etc). Gosto bastante do filme e acho inevitável que as pessoas – a mídia – busquem alguma forma de paralelismo com ‘Tropa de Elite’, embora os dois sejam diferentes e o João Estrela não possa ser considerado um daqueles traficantes que o Capitão Nascimento passa pelas armas. Acho que o negócio é desvincular os dois filmes para apreciar melhor as virtudes de um e de outro, mas tenho de admitir que gostaria mais de ‘Meu Nome não É Johnny’ se não tivesse aquele letreiro final, com a fala da juíza, que diz que o cara é a prova viva de que se pode recuperar as pessoas. Honestamente, acho aquilo uma m… desnecessária. Mauro Lima, que é roteirista (com a produtora Mariza Leão), deveria ter dado um crédito de confiança à platéia, que chegaria àquela conclusão sem a visão dirigida – institucional – da personagem de Cássia Kiss. Saí do ‘Meu Nome não é Johnny’, lá no Blue Tree da Faria Lima, atordoado depois de falar com tanta gente e, enfrentando o tráfego de fim de tarde, cheguei ao Hotel Renaissance, na Alameda Santos, para entrevistar Fernanda Montenegro. O mote era a particuipação da Fernanda em ‘O Amor nos Tempos do Cólera’, que estréia ainda este mês, mas tinha também a participação dela na próxima minissérie de Maria Adelaide Amaral e o espetáculo que Fernanda e Sérgio Brito vão fazer no ano que vem sobre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir (pegando carona no centenário da escritora, e pensadora feminista). Estava no meio da entrevista quando chegou uma menina correndo, parou na frente dela e perguntou – ‘A senhora é da novela?’ Sem nhenhenhém, Fernanda falou com ela como falaria com uma pessoa adulta. É o mais bacana. Nossa maior atriz – de teatro, cinema e TV – é também uma figura humana rara. Fernanda faz com que a gente se sinta importante. Espero lhe fazer justiça, ao publicar a reportagem.