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Luiz Carlos Merten

13 Agosto 2011 | 18h37

GRAMADO – Estou à beira de um ataque de nervos. Havia feito um post imenso, mas, de repente, a máquina travou e eu perdi tudo. Vou  dar uma geral, rapidinho. Daqui a pouco, 9 da noite, começa a cerimônia de premiação do 39.o Festival do Cinema Brasileiro e Latino. Eu mesmo fiz muitas críticas a esse festival. A seleção latina foi melhor que a brasileira, mas, ao mesmo tempo, foi um absurdo que tenhamos de ver a maioria dos filmes latinos em DVD, em cópias de serviço porque as cópias para o festival não conseguiram chegar a tempo. O mais prejudicado foi o filme mexicano ‘A Tiro de Pedra’, que passou com uma marca d’água horrorosa. Só o fato de a gente ter de conviver com aquela legenda ‘Instituto Mexicano de Cinematografia’ inscrita no meio da tela, durante duas horas, foi um suplício e o filme resistiu, prova de que é muito-muito bom. Sei  que há um ressentimento muito grande contra José Carlos Avellar e Sérgio Sanz, porque são  do Rio e, para muita gente local, marginalizam, a produção gaúcha, mas ocorre em Gramado uma coisa que só tem vez aqui e não se repete em nenhum outro festival brasileiro, acho que no mundo. Como curadores, Avellar e Sanz se preocupam em selecionar filmes que, quando exibidos, dialogam entre si. Um filme complementa e ilumina o outro. Isso é muito bacana e termina por relativizar a questão da qualidade. Eu, por exemplo, não gostei das texturas do filme de Lúcia Murat, ‘Uma Grande Viagem’ , mas não sou louco de negar sua importância. A história dos anos de chumbo tem sido contada do ângulo dos heróis. Lúcia, como  Flávia de Castro, de ‘O Diário de Uma Busca’, escolheu contar a História, com maiúscula, do ponto de vista dos que não foram heróicos. Eu não gosto, mas outros gostam e o filme poderá até ganhar hoje à noite. Qual é o problema? Nos prognósticos de hoje, no ‘Caderno 2’, joguei minhas fichas em ‘Riscado’, de Gustavo PIzzi, e ‘As Hiper Mulheres’, do trio Leonardo Sette/Carlos Fausto/Karumã Kuikuro – espero estar grafando os nomes certo -, mas não vou achar um escândalo se o filme da Lúcia ganhar. Tinha meus favoritos latinos – o chileno ‘La Lección de Pintura’, de Pablo Perelman, que os coleguinhas odiaram, ou quase, e o argentino ‘Medianeras’, de outro Gustavo, o Taretto -, mas me encantei com o último concorrente estrangeiro, ‘Jean Gentil’, de Laura Guzmán e Israel Cárdenas, exibido ontem, após o fechamento da edição. ‘Jean Gentil’ vai ganhar prêmios importantes, o júri será incompetente, se o ignorar. O melhor curta? ‘A Mula Teimosa e o Controle Remoto’, de Hélio Vilela Nunes. Rnfim, falta pouco. Amanhã, sigo para Porto Alegre, onde fico segunda. E já anuncio. Estou louco para ver ‘Super 8’, de J.J. Abrams, sobre o qual tenho ouvido as melhores referências. Quem me considerar alienado, ou colonizado, que atire a primeira pedra. Vocês já viram? Gostaram?