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Luiz Carlos Merten

04 Abril 2008 | 17h34

Estou devendo para mim mesmo vários posts que espero ter tempo de escrever hoje. Estou numa lan house do Centro e acabo de assistir ao mesmo segundo filme do dia. Vamos por partes. Pela cronologia – assisti hopje de manhã a ‘Falsa Loira’ e não vou fazer a ofensa de perguntar a Carlos Reichenbach quem foi que dirigiu o filme. Foi ele, claro, mas não o diretor de ‘Garoptas do ABC’ e ‘Bens Confiscados’, que a mim, pelo menos, deixaram constrangido. O Carlão que assina ‘Falsa Loira’ é outro homem. Melkhor artista, mais inteligente. Algumas pessoas tinham me falado na breguice assumida do filme, que seria, e é, deliciosa, mas eu quero dizer que se fosse só brega, ou kitsch, o filme não seria tão bom. Dentro daquela breguice, a história da garota descolada que vai sendo usada (e abusada) pelos homens, concretizando o medo de suas amigas na cena incial – de que ela vire biscateira -, alcança uma densidade que nenhum dos filmes recentes do diretor possui. E eu adorei as metáforas de Carlão. A gartota fala com as amigas sobre o tamanho do p… (a palavra de três letras) do músico com quem está saindo e uma delas descasca uma banana no primeiro plano. Ela faz sexo com ele no ônibus da banda e o veículo entra num túnel (a penetração). Ele a leva para a praia e os dois ficam à beira do abismo das águas, representando o perigo de queda da protagonista. Muito legal. E a atriz, então? Não havia gostado do filme de José Eduardo Belmonte ‘A Concepção’, mas dava para perceber que Rosanne Mulholland era boa. Ela é mais do que boa – é maravilhosa. Já temos melhor atriz da APCA em 2008. Vamos ter tempo de voltar a falar sobre ‘Falsa Loira’, mas já que falei mal dos filmes anteriores de Carlão e agora me sinto em lua-de-mel com ele, quero acrescentar que havia achado Betty Faria o ó em ‘Bens Confiscados’. Betty se reabilitou, para mim, com sua criação em ‘Chega de Saudade’, de Laís Bodanzky. Carlão dá agora a volta por cima com esta ‘Falsa Loira’. Parabéns!