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Fábio Barreto em estado grave

Luiz Carlos Merten

20 Dezembro 2009 | 12h59

Fábio Barreto sofreu um acidente de carro esta madrugada, no Rio. Está em estado gravíssimo, segundo me informaram. Por que, Fábio? Na quinta à tarde, eu o entrevistei no Hotel Pestana, aqui em São Paulo, e Fábio me anunciou que, no dia seguinte, à noite, estaria viajando para o Piauí, onde ficaria até 28 ou 29. Por que não foi? Talvez não tivesse ocorrido esta tragédia, que o atinge justamente às vésperas do lançamento de ‘Lula, o Filho do Brasil’, dia 1º. Tenho sido um solitário defensor das qualidades que identifico no novo filme de Fábio. Não pensem que isso não me cria problemas, dentro da polarização que se criou sobre ‘Lula’, o filme. Até brinquei com ele – teria sido muito melhor, se Fábio tivesse feito mais uma porcaria, como eram ‘Bela Donna’, ‘Jacobina’ e ‘Nossa Senhora de Caravaggio’. Eu poderia falar mal sem problema de consciência nenhum. Confesso que me envergonho pelos outros, quando leio algumas coisas sobre ‘Lula’. E, na verdade, tudo o que acusam no filme é o que seus detratores têm feito, inclusive jogando sujo, muito sujo. Pode-se criticar, claro, mas não dessa forma. O próprio Fábio me confessou que ‘Lula’ foi o maior desafio de sua carreira. Acusado de ‘chapa branca’, de ter feito um filme eleitoreiro, ele sabe que seu trabalho é mais crítico do que parece e, se alguém pega carona, não é Lula no filme, para fazer sua sucessora, mas ele, Fábio, e o clã Barreto – Luiz Carlos e Lucy apresentam, Paula produz -, é que tentam se beneficiar dos 80 por cento de aprovação do presidente para tentar cravar um sucesso de bilheteria. Depois de três filmes ruins – embora os defenda, ele aceita as críticas negativas -, Fábio me confessou que chegou a duvidar, num determinado momento, se teria condições de levar um projeto tão grande. O próprio Lula lhe deu a inspiração, com sua teimosia, e ele foi em frente. ‘Não ia aguentar o quarto revés, teria de mudar de profissão’, ele disse. Goste-se ou não de Fábio Barreto, ele começou bem, com ‘Índia’, e depois fez história na Retomada, quando ‘O Quatrilho’ foi indicado para o Oscar, precedendo as indicações de ‘O Que É Isso, Companheiro?’ e ‘Central do Brasil’. ‘Lula’ pode ser uma culminação, agora, para ele. O filme já recebeu convites para passar na ONU, no Parlamento europeu, existe até uma possibilidade de que vá a Berlim. Fábio estava tão feliz na quinta-feira, mais confiante em si mesmo. Imagino a aflição de seus pais, Lucy e Luiz Carlos Barreto. E torço por ele.