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Luiz Carlos Merten

09 Maio 2012 | 11h43

Tentei ontem postar diversas vezes para dar conta das emoções que estava vivendo e também para chamar para o debate/bate papo que me reuniu, à noite, a André Ristum, por ocasião do lançamento do DVD do filme dele, ‘Meu País’, na 2001 da Sumaré. A sala estava cheia, e houve um pocket show, a seguir, de Stephanie De Jongh, que canta na trilha do filme. Não sei o que elogio primeiro, se a voz ou a estampa, porque a Stephanie é 20, 10 + 10. Digo isso com todo respeito porque descobri que ela é mulher do André, há cinco anos, portanto, acompanhou o processo criativo do filme, do qual gosto bastante. Gostaria de tê-los chamado – a vocês, leitores/comentadores – para participar, mas ocorre que ontem, por conta de minhas múltiplas atividades, passei o dia fora da Redação do ‘Estado’, e devia estar havendo algum problema de servidor, porque, por mais que tentasse, não conseguia entrar na minha caixa de e-mails, que dá acesso ao blog. Pela manhã, fui ver ‘Battleship’, Batalha nos Mares, e se engana quem espera me ver espinafrar o filme de Peter Berg, ao qual voltarei. Mal tive tempo de almoçar (em casa) e corri para a Sala Cinemateca, onde acompanhei a visita de Peter Greenaway e o entrevistei, por quase uma hora, para a TV Estado. Acho que a entrevista ficou bem legal, mas será reduzida para cerca de 4 (quatro!) minutos, o que significa que muito, quase tudo, terá de ser sacrificado. Falamos sobre a morte do cinema, que ‘Peter’ vem anunciando há anos, mas o danado do defunto resiste. A par do conhecimento enciclopédico, ele é, naturalmente, um entertainer. Transforma tudo em show, é divertido, é um prazer conversar com ele, mesmo divergindo em questões essenciais. O curioso é que Greenaway se insurge contra a ditadura da tela e a passividade do espectador e defende um cinema interativo e multimídia, justamente para atrair aquela garotada dispersiva sobre a qual falei, no Recife, na sessão de ‘Paraísos Artificiais’. Arrependo-me agora de não haver insistido no tema da geração T, que dá seu testemunho instantâneo sobre o que vê e faz, mas havia muita coisa para discutir (e repercutir) na entrevista. Greenaway finaliza um filme sobre Eisenstein no México e ele descobriu, a partir de documentos liberados na Rússia, que ‘Sergei’ perdeu a virgindade, aos 33 anos, durante sua inacabada aventura mexicana. Na sequência, Greenaway vai emendar outro filme, um remake de ‘Morte em Veneza’, convencido de que Luchino Visconti, em 1971, não pôde ir fundo na abordagem da homossexualidade, não apenas pelos tabus da época, mas por ser, ele próprio, homossexual. Greenaway pretende reutilizar a trilha de Gustav Mahler, mas, até para evitar a maquiagem derretida de Dirk Bogarde, sua ênfase estará em Tadzio, o que será uma inversão do ponto de vista de Visconti, muito interessante. Concluído o encontro com Greenaway, e à espera do debate na 2001, voltei à minha casa e assisti à hora final de ‘A Batalha dos Três Reinos’, de John Woo. Quem me encontrasse ontem, por volta das 8 da noite, poderia achar que eu estava em estado de graça. E estava mesmo.

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